Fiquei a pensar sobre o que escrever em mais um Natal. Não que os assuntos sejam escassos, a questão é que todos já estão mais que batidos.
Eu poderia escrever sobre a imprecisão da data, ou seja, que Jesus não nasceu em Dezembro ou Janeiro (como quer a Igreja Cristã Oriental), pois essa época é extremamente fria na região da Judéia e os pastores, conforme o Evangelho de Lucas 2: 8 – 20, não estariam no campo com suas ovelhas. Aliás, por esta informação do evangelista, o nascimento do Salvador se deu, provavelmente, entre maio e julho.
Eu poderia escrever sobre a já tão batida questão da incorporação do paganismo romano ao cristianismo. Refiro-me às antigas comemorações do solstício, festa celebrada pelos pagãos do império romano e que serviu de inspiração para o atual “25 de dezembro”. Poderia até reforçar dizendo que a Igreja Primitiva, antes da suposta conversão de Constantino, nunca festejou o nascimento de Jesus.
Eu poderia escrever sobre os elementos estranhos que nada têm a ver com Jesus. Temos a árvore e a guirlanda, elementos da flora que serviam como objetos de adoração aos antigos nórdicos, elementos esses que passariam a simbolizar o Natal. Há as luzes que tremulam nas casas, perpetuando a memória das velas utilizadas nos templos católicos. Há o São Nicolau de Myra (conhecido por aqui como Papai Noel) que, com sua indumentária “made by Coca-Cola Company”, alegra a imaginação dos que querem receber presentes e agrados.
Eu ainda poderia escrever sobre o maldito consumismo exacerbado estimulado pela mídia que, por seus fortes apelos, leva muitos ao crime do roubo. Há a famosa “depressão natalina” que aumenta os rendimentos dos psicólogos e dos psicanalistas. Há as mensagens de solidariedade, amor e caridade, mensagens essas totalmente esvaziadas de sentido.
Como vocês podem ver, eu poderia escrever sobre muita coisa...
Na tentativa de inovar, eu poderia escrever informando que não tenho nada contra os que possuem, tanto em casa como na igreja, uma árvore de natal, guirlandas, bolas coloridas, lâmpadas que piscam, e todos os apetrechos comuns à data. Poderia tornar público que presenteio nessa época, além de gostar de receber presentes, é claro. Poderia informar que comemoro o Natal com a família, felicitando-os na virada do 24 para o 25 de dezembro. Aliás, nessa época eu só não bebo, pois desde 1987 tornei-me abstêmio, embora não veja problemas quando outros bebem com moderação.
Como vocês podem ver, eu poderia revelar muita coisa sobre mim...
Mas o que importa tudo isso? Em que cresceríamos diante dessas informações tão batidas? Diga-se de passagem, o Natal como comemoração mais divide do que ajunta, mais rui do que edifica, mais escandaliza do que estabiliza. E é por esse motivo que, para mim, o mais importante nessa época (e em qualquer época do ano) é saber que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Ou seja, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Como resultado, posso afirmar que fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal (João 3: 16, 17; Gálatas 4: 4, 5; 1 Timóteo 1: 15).
Disso todos sabem, mas é a mensagem que vale a pena repetir.
O que escrever a mais? Apenas isto: muito obrigado meu Senhor pelo nascimento do meu Salvador, evento histórico que ratificou a minha salvação e eleição.
E é nesse último contexto, e apenas nele, que eu desejo a todos um feliz natal!
Sola Scriptura!
Alfredo de Souza
