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2 de fevereiro de 2013

Respeito às Mulheres no Carnaval?

Estamos à beira de uma festa. Uma festa que aguça todos os sentidos: A músicalidade, os ritmos, as buzinas fazem com que a audição entusiasme os foliões que seguem as cores alegres e o sensualismo que alimenta o que a visão pode mostra. Olhares se encontram aproximando pessoas para descobrir onde o tato pode chegar. O gosto gelado e doce das bebidas em profusão levam o paladar e o olfato a trabalhar juntos... tudo parece lindo, perfeito.

Todos se alegram e nada parece ser errado. Muito do que é feito é permitido. Aliás, esse ano a campanha de Carnaval em Salvador é por "respeito às mulheres", e quais as frases dessa campanha?

"Me beija com carinho", "te pego numa boa" e coisas do gênero.

Agora, vamos analisar um pouco mais friamente essa questão. Respeito a mulheres? O que essas frases tem de respeitosas?

Gente, o carnaval é onde "muitos tirando as máscaras nesses dias, revelam nessas loucas alegrias, as vidas que levam mascarados, com as máscaras de homens recatados", no dizer de Jerônimo Gueiros.

Se você quer respeito, mulher, ninguém vai "beijá-la", ou muito menos "pega-la", mas não é isso que se faz no Carnaval? Claro, ela é a festa da carne, da liberação da libido, onde a sem-vergonhice é vista com aplauso, o adultério com prazer, a luxúria com alegria, a imoderação como coisa normal.

Então, se você quer ser respeitada, evite a folia. Lembre que os seus sentidos todos sofrerão a conseqüência de sua decisão. O som pode se tornar ensurdecedor quando os gritos forem mais altos que o choro por causa da violência causada pela mesma (e festejada) imoderação desses dias. Seu corpo depois de ser usado e abusado - isso não fará você perder os sentidos? A dor, a desilusão, o peso na consciência, as separações, as perdas de virgindade, as gravidezes, os abortos, as mortes...

Não, você não precisa disso para ser feliz, Jesus tem uma proposta muito mais saudável para o seu corpo, muito mais alegre para toda a vida (e mais ainda depois dela) e muito mais tranquila para ser vivida. A alegria do Senhor é a nossa força.

Carnaval: Diga não!

30 de outubro de 2012

44 Teses Para Hoje - Reforma Já!


1)   Rejeitamos a Teologia da Prosperidade, pois ela tem, antes, contribuído para uma falsa compreensão do evangelho da auto-negação de Jesus Cristo

2)   Rejeitamos os ministérios centralizados em homens que destoam do Princípio Bíblico que Cristo deve crescer e nós, diminuir

3)   Rejeitamos as novas revelações do Espírito, pois temos entendido pela Palavra de Deus que a Bíblia é tudo o que precisamos em matéria de fé e prática

4)   Rejeitamos o fundamentalismo ascético que impede o povo de Deus de usufruir com domínio próprio a liberdade cristã pela qual Cristo deu o seu próprio sangue

5)   Rejeitamos os cultos-show como se devêssemos cultuar com o fim de agradar e entreter pecadores, em lugar de faze-lo ao único que se interessa completamente pelo culto: o próprio Deus

6)   Rejeitamos o Mercado Gospel com todos os danos que ele tem causado à simplicidade do evangelho de Jesus

7)   Rejeitamos o reducionismo teológico que tem embrutecido o povo de Deus que se contenta hoje com frases e jargões sem sequer entender o que eles dizem

8)   Muitos desses jargões são tão contraproducentes quanto heréticos, pois partem de uma visão humanista da Escritura

9)   Alguns exemplos desses jargões: “Deus vai te honrar”, “Eu creio”, “Tá amarado”, “Eu recebo”, “Somos cabeça e não cauda”, “Quero tocar nas vestes do Senhor”, sendo que essa lista poderia ser muito mais exaustiva

10) Rejeitamos toda e qualquer doutrina de homens que não tenham base na Escritura, apenas, e conclamamos o povo de Deus a voltar-se para a Palavra, não confiando cegamente em pastores, pois a Bíblia diz: “Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo homem”

11) Rejeitamos a teologia triunfalista que tem, antes, contribuído para um descontentamento do povo de Deus, que deveria amar a sua providência e ter por motivo de toda alegria o passar por provações, pois aprendemos com Tiago que “as provações produzem perseverança”

12) Rejeitamos a tendência de muitos crentes em procurar Cristo por causa de curas, milagres e coisas desse gênero e não por aquilo que ele é, independentemente de recebermos qualquer coisa dele, além da salvação

13) Rejeitamos a teologia que atribui a salvação ao homem e não totalmente a Deus, pois “quem jamais resistiu a sua vontade?”

14) Essa tendência teológica é tão absurda que rouba a glória de Deus e a coloca no homem, mas somos lembrados que não nos cabe gloriar em nada, pois somos “salvos pela graça por meio da fé, e isso não vem de nós, é dom de Deus, não vem de obrar para que ninguém se glorie”

15) Rejeitamos também a tendência de crer nessa verdade e com isso nos tornar preguiçosos culpando a soberania de Deus pela nossa letargia e falta de coragem de pregar o evangelho como devemos fazer, cumprindo a missão que Jesus nos deixou de “pregar o evangelho a toda criatura”

16) Rejeitamos todos os apóstolos modernos, pois a Bíblia encerrou o ministério apostólico com aqueles homens mencionados como tais na Escritura para que a sua Palavra fosse fundamentada pela doutrina deles, que a receberam por revelação direta do Senhor Jesus

17) Rejeitamos com eles, todos os títulos que tendem a trazer algum tipo de confusão ao povo de Deus, tais como: Patriarca, Sacerdote, Levita, Reverendo, Bispo (usado de maneira equivocada) e tantos outros que podemos nos acostumar e que dizem de nós aquilo que não somos

18) Rejeitamos toda a pompa eclesiástica que trás de volta ao culto a Deus elementos do cerimonialismo judaico em detrimento da simplicidade do Novo Testamento, depois que o véu do templo se rasgou para nos apontar um novo e vivo caminho, em Jesus

19) Rejeitamos o comprometimento político de muitos crentes que têm trocado o evangelho por votos, a cruz por cargos, o ministério por empregos, Jesus por salários

20) Rejeitamos ser irmanados pelos sensos e pesquisas aos grupos e seitas pseudo-cristãs como as assim chamadas Igrejas neopentecostais, elas têm confundido não apenas o povo de Deus com suas falsidades e enganos, mas têm dificultado o avanço do verdadeiro evangelho, sendo, antes sinagogas de Satanás do que igrejas de Jesus

21) Rejeitamos seus líderes e os conclamamos ao arrependimento, pois “de Deus não se zomba, o que o homem semear, isso também ceifará”

22) Rejeitamos a ideia de não poder falar contra pastores e líderes religiosos em nome do culto à diferença; Jesus e os Apóstolos de verdade se deixaram questionar pois não tinham medo da verdade

23) Paulo disse que se ele mesmo pregasse outro evangelho fosse anátema, João afirmou que deveríamos provar os espíritos para saber se eles procedem de Deus; Pedro informou que homens são ávidos por deturpar as Escrituras e deveríamos ter cuidado e que é preciso fazê-los calar; Tiago e Judas nos alertaram contra homens que se introduzem como ovelhas, mas são lobos; finalmente, Jesus mesmo disse: “acautelai-vos dos falsos profetas”

24) Amamos a liberdade de culto e de religião e lutaremos por ela com todas as forças que possuirmos, sem jamais deixar de pregar o evangelho e mostrar a diferença, pois não podemos confundir liberdade religiosa com ecumenismo

25) Rejeitamos as catedrais e o resgate do conceito de templos no meio do povo de Deus, pois Jesus Cristo se autodenominou o templo que foi reerguido em três dias, quando ressuscitou dentre os mortos e estabeleceu que nem em Jerusalém e nem em Samaria seria o lugar do culto a Deus, mas onde quer que ele seja adorado em Espírito e em Verdade

26) Lutamos pelo resgate da pregação simples das Escrituras, onde Cristo é o centro de todas as coisas, e não o homem

27) Lutamos pelo resgate da doutrina pela justificação pela fé, somente

28) Lutamos para resgatar o papel profético da Igreja com base na Palavra de Cristo e não nos devaneios de homens que apenas gritam
palavras de ordem e têm uma legião de soldadinhos nas suas guerrilhas forjadas e encenações patéticas

29) Lutamos pela centralidade da Pregação e uso exclusivo dos conhecidos elementos de culto, tais como oração, leitura da Palavra e cânticos de louvor a Deus; rejeitando assim todas as inovações que não têm base na Palavra de Deus

30) Lutamos pelo Princípio Regulador do Culto, tal como estabelecido por Deus pela pena de Moisés: “Tudo o que eu te ordeno observarás, nada acrescentarás ou diminuirás”

31) Lutamos pela liberdade na vida onde podemos usufruir de todas as bênçãos de Deus com liberdade, sem, entretanto, dar ocasião à carne

32) A chave para essa liberdade é encontrada na observância do fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”

33) Lutamos pelo resgate da disciplina amorosa na igreja de Deus, pois o povo de Deus precisa voltar a ter temor em relação ao pecado; em outras palavras: pecado precisa ser chamado de pecado

34) Ensinamos que os mandamentos de Deus devem ser observados não como meio de salvação, mas como resposta à ela, uma vez que “Deus de antemão preparou as boas obras para que andássemos nelas”

35) Ensinamos ao povo de Deus a amar a Deus sobre todas as coisas, inclusive nas piores circunstâncias que passarem

36) Lutamos pelo resgate do conceito perdido do Dia do Senhor

37) Lutamos por ensinar crianças e jovens a respeitarem seus pais e os obedecerem em todas as áreas de suas vidas, inclusive naquelas áreas que a modernidade têm feito de jovens crentes cada vez mais independentes e, portanto, menos felizes e mais propensos ao erro

38) Ensinamos que não herdarão o reino de Deus os que praticarem de forma contumaz pecados que devem ser chorados pelo povo de Deus, pois sem a santificação ninguém verá o Senhor

39) Ensinamos que Deus julga o coração e não apenas os atos, por isso devemos cuidar do que nossos olhos veem, do que nossos ouvidos ouvem e que vem à nossa mente, passando a pensar “em tudo o que é puro, amável, respeitoso e de boa fama”

40) Rejeitamos a tendência de relativizar pecados: pirataria é furto; pornografia é adultério; meia verdade é mentira; descontentamento é cobiça

41) Rejeitamos o pragmatismo de pensar que tudo depende dos resultados, pois “não depende de quem quer, mas de Deus derramar a sua misericórdia”, e “o crescimento procede de Deus”

42) Rejeitamos o culto à relevância, pois nada há mais relevante que aquilo que Paulo se recusava a fazer diferente: “nós pregamos a Cristo crucificado; escândalo para os judeus, loucura para os gentios, mas para nós, que cremos, é poder de Deus e sabedoria de Deus”

43) Chamamos o povo evangélico para uma reflexão séria sobre essas coisas, pois não podemos esquecer que “muitos naquele dia ouvirão: apartai-vos de mim os que praticais iniquidades”, mesmo que digam: “Senhor, Senhor, em teu nome fizemos milagres, expulsamos demônios e profetizamos”

44) Chamamos os que não conhecem a Jesus como Salvador a não se impressionarem com as loucuras evangélicas dos nossos dias, mas a abraçarem a fé simplesmente de Jesus, pois “não há outro nome em cima nos céus ou embaixo, na terra, pelo qual importa que sejamos salvos”

13 de junho de 2012

Como Escolher o Meu Futuro Cônjuge?


Observe seu pretendente em apenas duas áreas, e isso será um grande balizador para fazer uma escolha que agrada a Deus. Não priorize nada que seja exterior ou passageiro, mas lembre que, sendo você crente, está diante da mais importante decisão da sua vida. Como escolher meu cônjuge?

I - Seu relacionamento com Deus

Jesus resumiu a lei dizendo que em primeiro lugar devemos amar a Deus sobre todas as coisas, então:

a) Ser crente não é tudo; mas é apenas um ponto de partida, mas deve-se observar se ele/ela tem a Cristo como o seu maior tesouro. Como fazer isso?

Note por exemplo o valor que dá às coisas de Deus: culto, igreja, etc. em detrimento de qualquer outra coisa. Entre o futebol e a igreja qual a opção dele? Entre ficar com uma amiga que ela não vê há muito tempo e chega de surpresa na casa dela, qual a opção dela?

b) Veja especialmente que valor dá ao culto a Deus e se se preocupa em agradar a Deus de todas as formas possíveis: como líder ou como auxiliador idônea, todos precisam ser observados nisso.

c) Veja que valor ele dá ao nome de Deus e à sua Palavra.

d) Observe seu pretendente no domingo. Isso ajudará você a entender muita coisa.

II - Seu relacionamento com as outras pessoas

Nosso relacionamento com Deus pode, por vezes, ainda ser subjetivo. Aliás, João diz isso em I João 4:20 – Se alguém disser: amo a Deus, e odiar seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

Por isso, de forma mais objetiva, Jesus completa o resumo da lei dizendo: amarás o teu próximo como a ti mesmo. Como?

a) Veja atentamente como seu pretendente trata seus pais; e consequentemente outras autoridades e as pessoas mais velhas. Isso será um indicativo importante de como será o seu futuro.

b) Veja como trata seus irmãos e como se refere a outras pessoas. Se fala mau dos outros, se é rixoso, etc.

c) Seu comportamento com você ou pessoas do sexo oposto. Leia I Tes. 4:1-8 e veja se pureza está ao seu alcance. Como ele (ou ela) trata você e se mantêm distância do seu corpo, pois aguarda o momento correto de Deus no casamento.

d) Veja a sua conduta ética. Tem algum problema do pequenas contravenções?
Pirataria, trânsito, como lida com dinheiro e bens?

e) Como é a sua palavra? Seu sim é sim? Seu pretendente tenta se safar de situações e as vezes usa você como fonte de mentira? Seja lembrado de quem é o pai da mentira e veja se é isso mesmo que você quer para a sua vida!

f) Quais são seus planos de futuro? Onde a ambição suplanta a devoção? Qual o lugar de Deus nos planos?

Conheço pessoas que mudam seus planos de vida, pois preferem suprimir a ambição (que em certo sentido é coisa boa para o homem), mas jamais assumem nada que possa interferir na sua devoção ao Senhor!

Concluindo, creio que o padrão aqui estabelecido é mais alto que o que a maioria tem buscado em nossos dias, pois os jovens estão indo atrás de futilidades, estética e coisas do gênero, e com isso, veja tantas vezes alguns perderem tesouros porque pensam com o coração enganoso e não com a mente cativa a Jesus.

Mas como o padrão é alto demais, mas bíblico, creio que antes de procurar essas coisas em alguém para você casar, é bom aplicar primeiramente a você, pois se ele/ela aplicar isso sua vida, certamente não vai buscar nada menos do que o que você deve buscar.


Com amor,


Samuel Vitalino

12 de abril de 2012

"Evangelho" de Conveniências


Você sabe o que o “evangelho” de hoje tem em comum com lojas como “am pm”, “Hungry Tiger” e “Seven Eleven”? As conveniências. Essas lojas estão à disposição, em muitos lugares, 24 horas por dia, exibindo produtos dos quais você julgue precisar a qualquer momento. Geralmente, o leque de opções é impressionante e você jamais é obrigado a levar a loja inteira; só o que você julgar interessante ou necessário, embora o preço que se pague pelo produto é mais caro.
Semelhantemente, há um perigo que tem rondado a igreja de Cristo e ameaçado a sua saúde espiritual. É o perigo do evangelho de conveniências. Ele funciona mais ou menos assim: o evangelho seria um estilo de vida cheio de opções; basta você escolher aquilo que lhe é necessário e no momento da necessidade. Nesse sistema, você adota o que julgar conveniente do evangelho e descarta o que não lhe interessa. Por exemplo: falarem mal de mim é contra o evangelho e isso é conveniente para mim; nisso eu me apego. Se eu falar mal do outro, aí eu não adoto o evangelho; falo sem dó nem piedade. Conto com as orações dos irmãos, pois isso é coisa do evangelho conveniente para mim. No entanto, não oro a semana inteira, porque vivo numa intensa correria. Vou à igreja nos domingos porque adorar a Deus é coisa do evangelho; isso é conveniente. No entanto, falto às atividades da igreja durante a semana porque fico “cansado”, não cumprindo o que prometi no dia da profissão de fé (participar das atividades da igreja e das assembléias). Outro produto da loja evangélica de conveniências.
Se partirmos para outra abordagem, a coisa fica pior. O marido quer que a esposa seja fiel, pois isso é coisa do evangelho, mas ele olha para outras mulheres com intenção impura no coração, porque lhe é “conveniente”. A mãe exige uso equilibrado do computador pelos filhos porque isso é coisa nobre do evangelho, mas fica horas vendo novela, porque lhe é “conveniente”. Um menino se queixa do irmão ou da irmã (e vice-versa) aos pais, quando se sente injustiçado, mas quando ele é o perpetrador da injustiça, é “conveniente”. Um rapaz critica o que engravidou a namorada porque isso é contra o evangelho, mas ele faz sexo com a sua, porque é “conveniente”. Famílias guardam o Dia do Senhor, porque é coisa do evangelho; mas em dia de jogos e eventos interessantes convém dar uma “escapadinha”.
O problema desse evangelho de conveniências é que a Bíblia diz que todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm. Todas são lícitas, mas nem todas edificam. Todas são lícitas, “mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (1Co 6.12; 10.23). O evangelho não é um guarda-roupa do qual você tira seletivamente aquilo que interessa em dado momento. O evangelho puro é absoluto e simples. Não admite que se faça uso dele apenas em parte, naquilo que é conveniente. A observância total é necessária. Tiago disse que se alguém tropeçar num só item da lei de Deus é transgressor da totalidade (Tg 2.10), justamente porque o Evangelho é simples e não pode ser dividido em compartimentos.
Pense: será que você tem feito uso do evangelho como loja de conveniências? Quer só a promessa, mas não quer o compromisso? Quer só as bênçãos, mas não quer cumprir os deveres? Quer que lhe respeitem, mas não quer tratar ninguém com amor e dignidade? Quer que os outros cumpram a Palavra de Deus, mas não refreia a língua? Há quem defenda a autoridade da Bíblia em muitos aspectos, mas quando a verdade da Palavra aponta para seu erro, interpreta como válido só para aquele tempo. É hora de mudar. Pense no evangelho como uma coisa só; indivisível! Comprometa-se com ele todo e o viva. Não é fácil, mas é necessário. Isso é de fato conveniente. Convém que em todo o tempo vivamos para a glória de Deus.
Pr. Charles

28 de fevereiro de 2012

O Justo Viverá Pela Fé

Habacuque sofreria muito se vivesse nos nossos dias. Suas súplicas a Deus por Justiça frente ao viver impiedoso do seu próprio povo deve nos fazer orar como ele orou, pedindo que Deus aja mesmo contra o seu povo, para que este possa acordar da letargia e fraqueza moral com que vive.

Por mais surpreendente que tenha sido, a resposta de Deus ao profeta dizendo que mandaria um povo ímpio para escarnecer do seu próprio povo parece também ter cumprimento nos nossos dias. Somos, como ‘evangélicos’ motivo de piadas e chacotas por causa dos falsos crentes e líderes que embaralham a mente do mundo e envergonham o evangelho.

Mas como devemos, os crentes, perceber todo esse engano que o falso cristianismo tem mostrado? Deus disse a Habacuque que escrevesse numa tábua de pedra (igualzinho aos 10 mandamentos) qual seria o centro da sua mensagem: O justo viverá pela fé.

Aprendendo a lição, o profeta declarou que se tudo na vida acabasse, a figueira não florescesse, a oliveira murchasse, os currais ficassem vazios, ainda assim ele se alegraria em Deus e na sua salvação.

Será que esse evangelho pode ser pregado como suficiente?

Se tudo o que der prazer ao leitor: família, emprego, estabilidade e o que mais você puder pensar for requerido de você hoje, você precisa entender que viver pela fé é, ainda nas piores circunstâncias poder dizer: ainda assim eu me alegro no Deus da minha salvação.

Parece diferente do que você vê na TV? Mas esse é o evangelho daquele que nos chamou assim: Quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.

Esse é um convite irrecusável!

Abraço,

Samuel Vitalino

30 de dezembro de 2011

Três lembretes para o Ano Novo

“Adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer. Muito dinheiro no bolso, saúde para dar e vender.” / “Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou. Nesses novos dias as alegrias serão de todos, é só querer. Todos os nossos sonhos serão verdade, o futuro já começou.”

Começaremos no domingo a contagem de mais 365 dias de um novo ano e os trechos das músicas acima revelam o que muitas pessoas em nossa pátria desejam para 2012, mas, infelizmente, sem uma consciência correta sobre Deus, a maioria dessas pessoas coloca nesses desejos a perspectiva de um ano bom.

Como cristãos, também fazemos planos, temos desejos e esperamos várias coisas boas neste ano que se inicia, contudo, não podemos deixar de observar o que ensina a Palavra de Deus. Tenha, então, em mente esses três “lembretes” contidos nos primeiros versículos de Provérbios 16:

1. Planeje, mas sem esquecer que o Senhor é quem dirige sua vida

“O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor” (16.1).

Temos aqui uma grande verdade: Deus é quem de fato dirige o nosso viver.

Perceba que o texto fala sobre o coração do homem. A Bíblia ensina que somos controlados pelo nosso coração (Mt 6.21). É dele que procedem as fontes da vida (Pv 4.23). Todos os nossos planos e projetos, conforme o texto, partem, então, dos desejos do nosso coração.

O texto não desestimula o planejamento e ele deve mesmo acontecer. A grande questão aqui é que planejamos sabendo que do Senhor é a resposta certa dos lábios. Geralmente, quando a segunda parte desse texto é citada, é da seguinte forma: “a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, mas o sentido do texto é outro. Com “a resposta certa dos lábios vem do Senhor” o escritor quer afirmar que é o Senhor é quem capacita o homem para realizar alguma coisa.

Isso quer dizer que só conseguiremos cumprir aquilo que está de acordo com os propósitos do Senhor em nossa vida. Alguns poderiam questionar esta afirmação e dizer: “Mas, se fosse assim, só nos ocorreriam coisas boas. O Senhor não nos capacitaria para fazer o que é errado.” Engana-se quem pensa desta maneira.

Deus nos capacita a realizar até aquilo que é contrário à sua vontade revelada a fim de que, com o coração exposto pelas circunstâncias, sejamos tratados por ele e nos tornemos semelhantes a seu Filho. O Senhor é Soberano e dirige nossa vida a cada momento.

É por isso mesmo que devemos estar atentos ao segundo lembrete:

2. Esteja atento às suas motivações

“Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito” (16.2).

Nesse versículo somos advertidos de que, para o Senhor, a “motivação” é importante.

O texto é claro: para o homem, tudo o que ele planeja está correto. Todos os caminhos a que ele se propõe a seguir são puros. Porém, a segunda parte do verso começa com um eloquente “mas...”. É como se o escritor estivesse dizendo: “a despeito do que pense o homem acerca daquilo que ele propõe”, o Senhor pesa o espírito.

Temos aqui duas palavras importantes: “Pesar”, que significa considerar ou examinar, e “espírito”, que diz respeito à disposição do coração (motivação).

Isso quer dizer que o Senhor sempre considerará o que nos leva a agir de determinada forma, ou planejar qualquer coisa que seja e não simplesmente” o planejamento em si. Sabendo que o Senhor examina as intenções daquilo que fazemos, devemos estar também atentos ao que nos leva a planejar.

Já vimos que os desejos procedem do nosso coração e sabemos pela Bíblia que o nosso coração, muitas vezes, nos engana, mas por meio da Palavra de Deus temos condições de avaliar aquilo que intentamos fazer no ano que se inicia (Hb 4.12).

Pelo menos duas perguntas são importantes aqui e devemos considerá-las: 1) Por que quero fazer (motivo)? 2) Qual o meu alvo com isso (resultado)?

Se respondermos a essas perguntas tendo em mente o que Paulo ensinou aos Coríntios: “Quer comais, quer bebais, ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31), podemos aferir as nossas motivações e, a partir daí, nos esforçar para realizar tudo aquilo a que estamos nos propondo ou abandonar o plano caso isso não glorifique ao Senhor.

3. Confie no cuidado do Senhor

“Confia ao Senhor as tuas obras, e os teus desígnios serão estabelecidos” (16.3).

O verso 3 nos traz o último lembrete. Ao iniciar um novo ano, devemos reafirmar nossa convicção de que confiamos no cuidado do Senhor. Creio firmemente que a ideia de confiar ao Senhor as obras para ter os desígnios estabelecidos, ensinada aqui por Salomão, é a mesma ensinada por Jesus: “Vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16), e que é repetida por João: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1Jo 5.14).

Aqueles que conhecem o Senhor e procuram viver de acordo com a sua Palavra são moldados pelo próprio Senhor e aprendem a pedir em conformidade com sua vontade. Sendo assim, quando confiamos ao Senhor nossas obras e estas estão em conformidade com as Escrituras, ele as estabelece.

Ao planejar o ano de 2012, lembre-se de confiar no cuidado daquele que tem dirigido nossas vidas. A nossa confiança deve ser a tal ponto que, mesmo que as coisas pareçam ir mal, consigamos descansar no Senhor.

Que o Senhor abençoe sua vida neste novo ano e que ele mesmo estabeleça aquilo que você tem planejado, caso sua motivação seja a correta: a glória e a honra daquele que nos salvou.

Milton Jr.

14 de dezembro de 2011

Sobre a Famigerada "Lei da Palmada"



O projeto de lei que proíbe a palmada dos pais nos filhos foi aprovado hoje (14/12) na Comissão Especial criada na Câmara dos Deputados para analisar a matéria. Agora o projeto de lei que proíbe a palmada irá direto para votação no Senado, a não ser que haja recurso de, pelo menos, 10% dos deputados, para que a matéria seja discutida no plenário.
O projeto possui muitos equívocos, o que pode ser percebido a partir das palavras dos debatedores, especialmente os que são favoráveis à proibição. A relatora da Comissão, deputada Érika Kokay (PT- DF), disse o seguinte, de acordo com matéria do site G1: “Educar batendo traz transtornos e consequências graves à vítima da violência para o resto da vida. Não se trata de impedir que os pais imponham limites aos filhos, mas sim que esses limites não sejam impostos por meio de agressões. Com a lei, as famílias vão formar pessoas mais íntegras e honestas, porque você elimina a relação do forte dominar o mais fraco. Quem é agredido aprende a resolver conflitos através da violência e a subjugar o mais fraco”.
Como um cidadão cristão, que tem direito de seguir a um padrão ou regra de fé e prá-tica, no meu caso, a Bíblia, discordo veementemente da deputada. Ela falha porque possui uma noção equivocada do princípio da disciplina doméstica. Se o ser humano fosse puro e bom em sua natureza e não demonstrasse desvios no caráter desde a mais tenra idade, tudo bem, mas não é o caso. Note que ninguém ensina a uma crian-ça a fazer birra ou manha; ela já nasce pecadora e tendendo ao erro. Por essa razão, a disciplina é, na realidade, um gesto de amor, quando aplicada corretamente. A “pal-mada” é necessária para que a criança não seja entregue a si mesma, porque ela tem maldade suficiente em seu ser para se acostumar a desobedecer regras, desrespeitar autoridades e ultrapassar os limites. “A estultícia está ligada ao coração do menino; mas a vara da correção a afugentará dele” (Pv 22.15). A criança entregue a si mesma se revolta primeiro contra os próprios pais. A Bíblia diz: “A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Pv 29.15).
Se este projeto passar e a lei pegar, o que teremos no Brasil não é o que a deputada espera. Teremos jovens delinquentes e incontroláveis, escalada da violência, desacato a autoridades e uso crescente de drogas. Pense comigo: quem são os tendenciosos à violência na escola? São as crianças disciplinadas desde cedo ou as que não recebem limites nem disciplina dos pais? Entendo a preocupação do governo, ainda mais quan-do penso nas crianças que apanham em demasia dos pais. A Bíblia fala do uso da vara, mas não com exagero: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te exce-das a ponto de matá-lo” (Pv 19.18).
A fim de evitar o erro nessa questão, Paulo orientou aos pais: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Calvino disse que o excesso de rigor na disciplina provoca a ira dos filhos. A preferência de um em detrimento dos outros também. William Hendriksen, comentando a mesma passagem, fala ainda do mau exemplo, o famoso “faça o que eu mando; não faça o que eu faço”, como fator que provoca a ira dos filhos. Em vez de provocar a ira dos filhos, a Bíblia instrui os pais a criarem (nutrirem, promoverem o crescimento – o amor está implícito) seus filhos com uma dinâmica interessante: equilíbrio entre correção (paidéia) e conversa (parakaléo). Converse com seu filho para prevenir futuros e possíveis erros. Instrua mediante a constante conversa (Dt 6.5-9). Mas quando o filho errar e uma conversa for pouco (por exemplo, mentira, desrespeito, desobediência, imoralidade, desonestidade são faltas passíveis de punição com vara em minha casa), a disciplina corretiva deve ser usada.
O governo insiste em dizer que o ato de bater no filho é ato de violência. Primeiro, se a disciplina for praticada com amor, sem raiva, com a Palavra de Deus, com exortação, não caracterizará a violência denunciada. Disciplina é um gesto de amor: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13.24). O texto diz que o que não disciplina, na verdade não ama a seu filho. A minha pouca experiência tem mostrado o contrário do que falam. Toda vez que disciplino meus filhos, eles se voltam para mim em arrependimento e sempre me abraçam depois. A disciplina possui um valor eterno para a criança: “Não retires da criança a disciplina; porque, fustigando-a tu com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv 23.13,14).
A relatora da comissão disse que “o projeto não prevê interferência do Estado na família”. Como? Me pergunto. Querem aprovar uma lei no meu país que me proíbe de dar uma varadinha no meu filho se eu, pai, responsável por ele, dentro do meu papel educativo e familiar, entender que a varadinha é necessária para moldar seu caráter pecaminoso. Se isso não é interferência do Estado em minha família, é o quê, então? Concordo com o Deputado Jair Bolsonaro, que afirmou que o projeto de lei representa interferência do Estado na família. Agora só me resta esperar que um recurso seja impetrado para que a discussão seja mais ampla no plenário da Câmara dos Depu-tados. Ainda assim, se passar, há esperança de que o Senado barre esta excrescência, se bem que a tendência por lá é de irem mesmo contra a Bíblia. A eles mando meu recado, embora saiba que não lerão este texto: “Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido” (Pv 12.1). Antes que me acusem de difamador, não fui eu quem disse isso; foi o Todo-Poderoso, Criador e justo Juiz de toda a terra, que inspirou a Bíblia e manifesta sua vontade através dela.

Pr. Charles

14 de outubro de 2011

Amar é uma Decisão



Nem tudo o que dizem por aí é a exata expressão da realidade. Poetas e cantores tentaram definir o que é o amor. Vinícius de Morais o expressou nesses termos: “Que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure”. Jorge Vercilo cantou assim o amor: “O amor se fez me levando além onde ninguém mais. Criou raiz, ancorou de vez, fez de mim seu cais lendo a rota das estrelas”.

Sabe o que é interessante nessas poesias sobre o amor? É que elas manifestam a opinião popular sobre o amor. Nem sempre terão razão, pois a teologia popular nem sempre expressará a realidade objetiva. É altamente questionável a validade da máxima: “a voz do povo é a voz de Deus”.

De acordo com os dicionários, amor tem sido definido como “sentimento que impele as pessoas para o que se lhes afigura belo, digno ou grandioso; forte inclinação, de caráter sexual, por pessoa de outro sexo; afeição, grande amizade” (Dicionário UOL-Michaelis – outros dicionários seguirão a mesma linha). A primeira coisa que salta aos olhos nessa definição é o caráter espontâneo que atribuem ao amor, como se ele tivesse vida própria e volição independente. É o caso do Jorge Vercilo, que se retrata como alguém carregado pelo amor e impelido por ele. Já o mais famoso dos poetas da MPB, Vinícius de Morais, o retratou como “chama”. Sendo assim, não é eterno; pode se apagar. Então ele encerra com um dos mais belos paradoxos do ponto de vista poético: “que seja eterno enquanto dure”.

Embora seja belo o paradoxo, não é exatamente isso o que a Bíblia diz sobre o amor. A Bíblia retrata o amor de duas maneiras: “phileo”, que denota amizade; e “agapao”, que em algumas passagens denota intensidade, e afeição no sentido moral e social. Alguns o retratam como incondicional (como o “amor de Deus” ou o de Demas pelo presente século – 2Tm 4.10). Em definição, não difere muito do que os dicionários dizem, mas destoa muito da noção popular. Na concepção geral, o amor é um sentimento autônomo e que governa a mente, a vontade e as emoções. Enquanto ele se faz presente, move o ser humano para lá e para cá. A partir do momento em que ele se retira (por uma espécie de “vontade própria”), aí não há o que fazer.

Enquanto penso nessas coisas, me vem à mente uma dúvida. Se é assim, por que a Bíblia ordena que amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos? Veja: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças. (...) Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Mc 12.30,31). Vou mais além. Se o amor é um sentimento espontâneo e de “vontade própria”, por que Paulo ordenou: “Maridos, amai vossa mulher como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25)? Meu ponto é o seguinte: Amor não é espontâneo; é fruto de uma decisão. Isso faz com que esses mandamentos da Bíblia façam sentido. De outra forma, pareceria insano que o Senhor ordenasse o amor a Deus e ao próximo.

Essa maneira de ver o amor traz muitas e sérias implicações. Em primeiro lugar, a noção popular de que eu preciso sentir o amor em meu coração para depois demonstrá-lo a alguém é uma falácia. Há pessoas que não amam ao próximo e dizem que não podem fazer nada, porque esse sentimento não brotou em seu coração ainda. Na verdade, a falta de amor (para não dizer ódio) foi fruto de sua decisão e, para justificar, apela à falta de espontaneidade do amor. Não temos escolha. Temos que amar nosso próximo! Quando o amor se torna fruto de uma decisão em nossa vida, o convívio se torna mais saudável e a reconciliação mais fácil.

Em segundo lugar, aqueles que enfrentam crise no casamento e alegam que o amor esfriou e que, assim, não podem mais fazer nada não possuem razão para tal alegação. O amor não é uma chama que se apaga por si só. É uma ordem do Senhor para que seja cultivado e mantido. O amor no casamento é fruto de uma decisão também. Eu decidi amar minha esposa porque entrei em aliança com ela. Curiosamente, Isaque primeiro se comprometeu com Rebeca; depois a amou (Gn 24.67). Hoje o casamento tem sido banalizado por causa dessa visão de que o amor tem que ser espontâneo. Hoje eu “amo”, então me caso. Amanhã “não amo mais”; me separo. Essa é a filosofia das novelas e dos livros de romance. A Bíblia diz: seja fiel à aliança; ame! (Ml 2.14; Ef 5.25). O amor é uma decisão!

Depois de ler isso, alguém pode se perguntar: o que posso fazer para que o amor seja cultivado, como fruto de uma decisão? Antes de mais nada, por mais ridículo que pareça dizer isto, ame! Decida amar. No caso dos casados, ame sua esposa, ame seu marido. Fale de seu amor, promova momentos agradáveis; evite as brigas e palavras grosseiras. Abuse dos presentes, do carinho, do abraço afetuoso. Surpreenda com flores, com um telefonema. Nos outros casos, do convívio fraternal, tenha consideração por seu próximo, mesmo porque ele foi feito à imagem de Deus. Pense sobre ele: “será que ele está bem? Será que está feliz? Como posso ajudar?” A Bíblia diz que devemos considerar “uns aos outros para nos estimularmos ao amor e às boas obras” (Hb 10.24). Faça do amor sempre uma decisão positiva. Ame a Deus! Ame ao próximo! Porque da obediência a estes mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Pr. Charles

25 de agosto de 2011

Deus vai te honrar, irmão!

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A frase que dá título a esse post está frequentemente na boca de cristãos, citada da seguinte forma: “Faça o que é certo, e Deus vai te honrar!” É assim que muitos crentes são motivados a cumprir aquilo que a Escritura ordena, mas será essa uma atitude correta?

Quando se faz o que é correto, pensando no “benefício” de ser honrado, revela simplesmente um coração egoísta, preocupado com sua própria glória. O ensino bíblico, entretanto, é claro. Por meio de Isaías o Senhor afirma: “A minha glória, não a dou a outrem” (Is 48.11). Deus não fica obrigado a nos honrar quando fazemos o que é certo e isso é facilmente percebido nas Escrituras.

No Evangelho conforme Lucas, Jesus ensina que os discípulos deveriam perdoar ao irmão arrependido, ainda que ele pecasse sete vezes no mesmo dia, mas se arrependesse. Diante disso, os discípulos pediram ao Senhor que lhes aumentasse a fé. Jesus então conta a parábola de um servo que arou durante todo o dia e que, chegando à noite, foi ordenado pelo seu patrão a servir a mesa. Por mais cansado que estivesse, a obrigação do servo era servir ao seu senhor. Jesus então pergunta: “Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado?” – e completa – “Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.9-10).

O ensino de Jesus é claro. Os discípulos deveriam fazer o que estava sendo ordenado, sem esperar recompensa. É isso que a expressão “somos servos inúteis” enfatiza, o humilde reconhecimento de ter cumprido uma obrigação.

Uma história que ensina muito bem a forma correta de o crente se portar é a dos amigos de Daniel. Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram denunciados por não se dobrar diante da estátua de Nabucodonosor, que mandou chamá-los. O rei deu mais uma chance para que eles se prostrassem diante da imagem sob pena de serem lançados na fornalha de fogo, caso se recusassem. Questionou ainda sobre qual seria o deus que os livraria de suas mãos (Dn 3.1-15). A resposta que deram ao rei foi contundente: “Quanto a isto não necessitamos te responder. Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste” (Dn 3.16-18).

A postura dos três jovens foi perfeita. Eles sabiam que Deus era poderoso para livrá-los, mas deixaram bem claro que ele não estava obrigado a isso. Ainda assim, sob o risco de perderem a vida, fizeram o que era correto diante de Deus. Não fizeram para ser honrados, mas para tributar glória ao Senhor.

Alguém poderia perguntar sobre o texto de 1Samuel 2.30, sobre como interpretar, então, o que o Senhor diz ali: “Aos que me honram, honrarei.” A resposta é que não precisamos negar que Deus pode “honrar” seus servos, se assim desejar, mas compreender que a motivação para viver em conformidade com os preceitos da Escritura não é a busca da nossa honra, mas a honra do único que é digno de louvor.

Roguemos ao Senhor que nos faça obedientes e humildes, buscando sempre a sua honra, e que todas as vezes que formos tentados a buscar nossa própria honra nos lembremos bem daquilo que afirmou João Batista, “convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).

Milton Jr.

10 de agosto de 2011

Quem manipula quem? O problema da abordagem comportamental

condicionamentoToda cidade tem um doido, desses que vivem pela rua e que são conhecidos por todos, virando até lenda em alguns casos. Pois um desses era constantemente motivo de chacota. A razão? Todos os dias ele passava na frente de um bar onde um grupo de amigos parava para beber. E era sempre a mesma história, cada dia um deles oferecia ao doido uma nota de 10 reais e uma moeda de 1 real para que escolhesse. E não é que o doido sempre escolhia a moeda, para a satisfação dos envolvidos na história, que explodiam em risadas?! Foram mais de 2 meses assim até que um dia um dos amigos disse ao doido: “Você é muito burro! A nota de 10 reais vale mais que a moeda de 1” – e emendou: “Você não sabe disso? Escolha a nota!!!” O doido com muita tranquilidade respondeu que não, e o que questionava perguntou o porquê, ouvindo logo a resposta: “É que se eu escolher a nota acaba a brincadeira.”

A piada é engraçada (pelo menos eu acho) e nos remete ao título do texto: quem manipula quem? Em outro artigo abordei o problema de focar na mudança de comportamento e demonstrei que isso é ineficaz se queremos ajudar nossos irmãos em seu processo de santificação e conformidade à imagem do Redentor. O maior problema do foco na mudança de comportamento é que acaba por formar “fariseus”, mas há outro problema que será abordado aqui e que eu chamo de “círculo de manipulação”.

Um caso comum

Pense na história de Fernando e Joana. Eles são casados e ambos são membros de uma igreja protestante há alguns anos. São engajados no trabalho da sua comunidade e muito responsáveis em suas atribuições. Porém, em seu lar, os conflitos só aumentavam. Joana cuidava do trabalho de casa, da criação dos filhos e desejava ter a ajuda de Fernando em alguns afazeres domésticos.

Entretanto, o desejo de ser ajudada, que não é mal em si mesmo, acabou por se tornar uma exigência. Ela começou a entender que precisava daquilo para ser feliz e como seu marido não lhe dava a ajuda que queria ela o julgava (“ele é um péssimo marido”) e o punia. A forma que encontrou para punir o marido era recusar-se a ter relacionamento sexual com ele.

O que temos aqui é um bom desejo que se tornou um péssimo senhor. A partir do momento em que Joana pune o seu marido porque este não fez o que ela achava que ele deveria fazer, ela demonstra que está sendo controlada pelo seu desejo e, em termos bíblicos, isso se chama idolatria. É fácil perceber quando um bom desejo se torna um ídolo, basta verificar se pecamos para conseguir o que queremos ou se pecamos porque não conseguimos o que queremos, mas, apesar da facilidade, aqueles que estão obedecendo ao “mau senhor” geralmente não se dão conta. Aqui entra em cena a figura do conselheiro bíblico, que deve levar o aconselhado a enxergar essa situação.[1]

O círculo de manipulação

Ao privar Fernando do relacionamento sexual, além de punir o marido, Joana conseguia também manipulá-lo para fazer o que ela queria, ou seja, ajudar nos afazeres domésticos.

Fernando, por sua vez, satisfazia o desejo da sua esposa ajudando-a com a louça, porém o fazia porque estava interessado mesmo era em sua satisfação sexual, revelando também estar sendo controlado pelo seu desejo.

Ele descobriu também como manipular sua esposa. Quando queria sexo, se tornava o melhor marido do mundo, pois sabia que à noite seria satisfeito. Ela, por sua vez, achava que o manipulava punindo-o com a falta de sexo. A pergunta do título deve ser lembrada aqui: Quem está manipulando quem?

Na verdade, o círculo de manipulação acaba por escravizar e transformar ambos, marido e mulher, em simples marionetes manipuladas pelo ídolo. É o mau desejo que faz com que eles “funcionem” desta forma e mostra que eles estão servindo a um mau senhor.

Esse círculo de manipulação pode causar a falsa impressão de que as coisas vão bem, afinal de contas o marido agora ajuda nos afazeres diários, e a esposa não briga mais nem se nega a relacionar-se com o esposo.

Bastará, porém, que o marido perca o interesse pelo sexo, que é quem está governando sua vida, ou que a esposa entenda que “merece” um marido que faça muito mais do que simplesmente ajudar nos afazeres domésticos para que os conflitos retornem. A solução equivocada será novamente punição da esposa para manipulação até que o marido entenda como virar o jogo para conseguir o que quer da esposa. É um círculo sem fim.

Quebrando o círculo, pelo poder de Deus

Como vimos, a abordagem comportamental gera um círculo vicioso no qual os envolvidos se enganam achando que estão controlando o comportamento alheio, quando na verdade estão também escravizados por seus próprios desejos, que se tornaram “maus senhores”.

Para que Fernando e Joana resolvam de forma efetiva os conflitos, é necessário lidar com eles de forma bíblica.

Tiago afirma em sua epístola que as guerras e contendas acontecem por causa dos prazeres que fazem guerra em nossa carne (Tg 4.1). Ele afirma ainda que o homem não recebe o que pede em razão de o pedido ser para esbanjar nos prazeres da carne (4.3). Após isso acusa, então, os crentes de serem infiéis (adúlteros na ARC). Isso quer dizer que até a oração, quando direcionada pelos “desejos da carne”, constitui-se um ato de infidelidade. Tiago explica isso de forma clara ao afirmar que a amizade do mundo constitui-se uma inimizade contra Deus (4.4). Podemos resumir isso dizendo que os nossos conflitos com o próximo têm como causa o nosso conflito (infidelidade) com Deus, quando em vez de nos submetermos a ele somos escravizados por nossos desejos.

Tiago não estava falando nenhuma novidade. Seu irmão, o nosso Senhor Jesus Cristo, já havia dito que, onde está o nosso tesouro, ali estará também o nosso coração (Mt 6.21). Isso quer dizer que aquilo que entendermos ser o mais importante será o que controla a nossa vida. Isso fica claro quando observamos as palavras anteriores onde ele ordena a não ajuntar tesouros na terra, mas a procurar ajuntar tesouros no céu.

Quando estamos dominados por nossos desejos, estamos “fabricando” um falso deus. Essa é a razão de Paulo afirmar aos coríntios que apesar de todas as coisas serem lícitas, ele não se deixaria dominar por nenhuma delas (1Co 6.12). A razão correta a nos motivar deve ser sempre a glória de Deus, como também ensina Paulo: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).

Diante disso, se o casal quiser quebrar o “círculo de manipulação”, deverá tomar algumas atitudes:

1. Reconhecer a idolatria do coração

Fernando e Joana devem primeiramente entender que estão sendo “movidos” e “direcionados” não pelo Senhor, mas por seus próprios desejos, que constituem os seus “tesouros”, e isso é idolatria. No caso de Joana o ídolo era o “desejo de ser ajudada”, e no de Fernando, o “desejo pelo sexo”.

Esses desejos que não são maus em si, como já foi afirmado, tornaram-se falsos deuses. Eles fizeram falsas promessas de alegria: “Se você tiver um marido mais prestativo será mais feliz”; “se você tiver realização sexual será mais feliz” e para alcançar essa alegria Fernando e Joana estavam pecando um contra o outro, tentando “controlar” um ao outro pela manipulação.

Sem o reconhecimento de que o problema está no coração, que está adorando um falso deus, qualquer mudança será mero paliativo.

2. Confessar o pecado e rejeitar os falsos deuses

Não basta, porém, reconhecer que estão sendo idólatras. Verificado o fato de que estão sendo controlados por um falso deus, Fernando e Joana devem confessar o pecado de buscar satisfação e alegria fora do Senhor. Devem também abandonar os ídolos, dando ouvidos à voz de Deus, que ordena: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). A idolatria é uma grande ofensa a Deus, mas em Cristo Jesus há redenção. João afirma que, “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (1Jo 1.9).

Além de confessar o pecado contra o Senhor, eles devem também confessar o pecado de tentar controlar um ao outro. Após a confissão do pecado contra o próximo, há ainda mais a fazer.

3. Submeter-se às ordenanças do verdadeiro Senhor

A evidência do arrependimento será uma nova disposição no relacionamento com Deus e com o próximo. A Escritura ordena não somente parar de pecar, mas também assumir uma nova postura. Aos colossenses Paulo explicou isso usando a metáfora do despir e vestir. Ele ordenou aqueles irmãos a terem uma nova postura porque haviam se “despido do velho homem” e se “revestido do novo homem” segundo a imagem daquele que os criou (Cl 3.9-10).

Fernando e Joana deveriam, então, obedecer à vontade de Deus em relação ao casamento. O matrimônio, conforme estabelecido na Escritura, é uma instituição que visa à satisfação do outro. Não poderia ser diferente, pois o apóstolo Paulo afirma categoricamente que o amor não busca os seus próprios interesses (1Co 13.5).

Desta forma, as ordenanças no casamento são sempre em relação ao outro. Paulo ordena ao marido que ame sua esposa, e à esposa que se submeta ao marido, mas não diz para um cobrar do outro (apesar de gostarmos de cobrar do outro, mesmo que não façamos o que nos é ordenado). Se cada cônjuge se esforça para cumprir aquilo que lhe é exigido, há um casamento harmonioso e que glorifica a Deus.

No caso dos pecados específicos, tratados neste artigo, Joana deveria se relacionar sexualmente com o marido ou abster-se disso somente de acordo com aquilo que a Palavra ensina e não para manipulá-lo, a fim de fazer dele um marido mais prestativo.

Quando escreveu aos Coríntios, Paulo deixou claro que o casal não deve privar um ao outro do relacionamento sexual. A razão apresentada é que isso é “devido” ao outro e que o corpo do marido pertence à mulher, da mesma forma que o dela pertence ao marido. A única razão para privar o cônjuge do relacionamento sexual seria a dedicação à oração, mas somente com mútuo consentimento e com a orientação de novamente se ajuntarem para que Satanás não tente por causa da incontinência (1Co 7.1-7).

Fernando, por sua vez, também deveria colaborar com sua esposa nos afazeres domésticos (perdoem-me, machões), mas não em troca de sexo. A motivação correta deve ser o entendimento de que, por ser herdeiro com ela da mesma graça de vida, precisa viver a vida comum do lar, com discernimento e, tendo consideração para com a mulher como parte mais frágil, tratá-la com dignidade (1Pe 3.7).

4. Entender que só há satisfação plena e verdadeira no Senhor

Por último, ambos, Fernando e Joana, devem entender que a satisfação e alegria verdadeiras só podem ser encontradas no Senhor. Não dependemos de pessoas ou circunstâncias, pois temos tudo aquilo de que necessitamos em Cristo Jesus. Paulo compreendeu muito bem isso e pôde afirmar: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4.11-13).

Creio não ser uma inferência indevida dizer também “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação... com um marido que me ajuda ou com um marido que não me ajuda; tendo ou não tendo satisfação sexual”.

Entender isso será de suma importância porque, ainda que um dos cônjuges não mude a sua postura, o que não é incomum, não haverá motivos para desespero, crises, brigas, pois a satisfação e a alegria estarão sendo buscadas na fonte correta, no Redentor Jesus Cristo. “Nele o nosso coração se alegra, pois confiamos no seu santo nome” (Sl 33.21).

Conclusão

Quando se entende que a alegria e satisfação dependem daquilo que se pode encontrar em pessoas, seja nelas mesmas, seja naquilo que podem dar, sempre haverá frustrações e conflitos, porque pessoas sempre frustrarão as nossas perspectivas, principalmente porque, na maioria das vezes, esperamos mais do que elas podem dar.

Ao invés de manipular pessoas a fim de conseguir o que você quer, peça ao Senhor que sonde o seu coração por meio da Palavra, arrependa-se por estar confiando nas falsas promessas dos ídolos e volte o seu coração para o Redentor.

Entendendo que a plenitude de alegria e satisfação só podem ser encontradas no Senhor, teremos motivos de sobra para nos regozijar e exultar nele, não dependeremos de circunstâncias e, ainda que venhamos a sofrer por fazer sua vontade, podemos estar certos de que somos bem-aventurados (1Pe 3.14).

Milton Jr.


[1] Sobre esse assunto, leia o artigo do Jônatas Abdias, “Ensaio sobre a minha cegueira: o objetivo do aconselhamento bíblico”, no blog aconselhando.com.Bíblia.

4 de agosto de 2011

ACABOU A ESPERANÇA

Há momentos em que a esperança vai embora e não sabemos o que fazer. Jeremias viveu isso em Lamentações 3:18 quando disse: acabou a minha glória como também a minha esperança no Senhor. Não podemos esquecer que Jerusalém estava chorando e em completa destruição.


O que por vezes não lembramos é que o homem, ainda que pense demais de si mesmo, vive com uma idéia errada de segurança, mas quando para e pensa se desespera por não saber exatamente o que se dará no futuro. O dia de amanhã está absolutamente oculto aos seus olhos e, assim como Jeremias, você mesmo pode reconhecer que não tem esperança ou certeza de futuro.

Isso coaduna com a máxima do Novo Testamento que você é naturalmente morto nos seus pecados (Ef. 2:1ss) e ninguém pode chegar a Deus por suas próprias forças (Rm. 3:9ss).

Nesse momento, faz sentido o grito de Jeremias em Lamentações 3:21 – Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. Quando faz isso, para onde Jeremias aponta?

1. Para as Misericórdias do Senhor (3:22).

2. Para a Fidelidade do Senhor que é grande (3:23)

3. Para a Bondade do Senhor (3:25)

Esse três atributos são facilmente vistos no próprio texto. Analisando rapidamente, notamos que misericórdia é não receber o castigo que merecemos, por isso elas são a causa de não sermos consumidos; A Fidelidade do Senhor aponta para o fato de haver duas promessas de Deus: primeiro que todo pecado será punido e segundo que pessoas seriam salvas. Deus resolveu mantendo a sua fidelidade punindo seu próprio Filho na Cruz e com isso, na mesma Cruz, revelando sua misericórdia e bondade.

Mas o texto depois trata de outro atributo de Deus, sua Justiça (3:34-36), que é mais um atributo de Deus revelado no Calvário; finalmente, Deus mostra que apenas Ele teria condição de cumprir tudo o que promete, afinal quem é aquele que diz e acontece quando o Senhor não o mande? Revelando aqui a sua Soberania.

O que notamos aqui é que a Bíblia não busca esperança no ser humano. Em outras palavras, não há esperança em você para dirimir suas dúvidas e inseguranças, traga a sua memória o que te pode dar esperança: Os atributos de Deus que apontam para Jesus Cristo morto na cruz tomando o lugar daqueles que nele crêem.

22 de julho de 2011

“Crentes” teóricos? Essa não!!!

o-perfil-de-um-fariseuÉ notório o grande crescimento dos interessados no estudo da teologia em nossos dias. Os seminários e faculdades teológicas têm se proliferado; na rede mundial de computadores, com uma rápida pesquisa, percebemos que o número de “debatedores” da doutrina é cada vez maior. São arminianos, calvinistas, liberais, dispensacionalistas, carismáticos, pentecostais, cada um defendendo o seu ponto de vista com veemência.

Em princípio, esse quadro deveria nos causar alegria, afinal de contas é muito bom ver pessoas interessadas nas Escrituras e debatendo sobre a Palavra. Mas uma pergunta tem de ser feita: os que têm discutido com tanta paixão têm experimentado um crescimento em santidade decorrente do conhecimento bíblico que professam?

Há um perigo muito grande em tornar a doutrina um fim em sim mesmo. Há na Palavra de Deus advertências sérias quanto a isso. Na epístola de Tiago a ordem é para que os crentes sejam praticantes da Palavra e não somente ouvintes, pois os que são simplesmente ouvintes enganam-se a si mesmos (Tg 1.22). Em seu ministério o Senhor Jesus repreendeu incontáveis vezes os escribas e fariseus, chamando-os de hipócritas, justamente por falarem e não fazerem. Ele chegou a ensinar a multidão, com respeito aos fariseus, da seguinte maneira: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem (Mt 23.3).

Eis aí o retrato de um “crente” teórico. É aquele que tem a doutrina na ponta da língua, muitas vezes decora vários versículos bíblicos, é capaz de discorrer com propriedade sobre as doutrinas mais complexas, mas não a vive no seu dia-a-dia. Esse tipo de pessoa, como afirma Tiago, engana-se a si mesmo, pois, como bem afirma John Blanchard, “o crescimento cristão requer mais do que conhecimento da Bíblia; ninguém jamais se alimentou decorando cardápios”[1].

Há no Novo Testamento uma igreja que foi elogiada pelo Senhor Jesus pelo seu conhecimento doutrinário. O Senhor chega a afirmar que aqueles crentes colocaram à prova os falsos mestres que se declaravam apóstolos e os acharam mentirosos (Ap 2.2-4). Pelo visto, aqueles irmãos eram bastante preparados no que diz respeito ao conhecimento doutrinário, contudo, Jesus os repreende dizendo que haviam abandonado o primeiro amor.

Infelizmente, isso é mais comum do que se imagina. Mesmo dentro de nossas igrejas, temos membros que foram doutrinados desde a tenra idade, que frequentam regularmente os cultos, mas por mero costume. A doutrina não tem efeito prático em suas vidas e eles demonstram que, à semelhança dos crentes de Éfeso, deixaram o primeiro amor.

Devemos ter muito cuidado para não ser meramente religiosos e também para não cair na cilada de colocar o amor à doutrina à frente do amor ao Senhor, pois fazer isso é incorrer na quebra do primeiro mandamento (Êx 20.3).

É claro que só se pode amar o Senhor tendo um conhecimento correto de sua Palavra, mas nem sempre conhecimento teológico é sinônimo de piedade e amor ao Senhor.

Fujamos, portanto, do farisaísmo procurando conhecer profundamente as Escrituras, mas com a finalidade de amar e honrar, pela sua prática, o Salvador.

Milton Jr.


[1] John Blanchard. Pérolas para a vida. São Paulo: Vida Nova, 1993.

7 de julho de 2011

Olhe-se no Espelho e Encontre a Resposta


Pode parecer estranho, mas acho que não precisamos procurar muito para encontrarmos nosso pior inimigo. Via de regra o crente joga essa alcunha para Satanás, como se ele, sozinho, pudesse fazer alguma coisa concreta contra nós, além de urdir seus planos e ‘tentar’ nos devorar.

Outra tendência do nosso coração é eleger as circunstâncias como nossa grande vilã. Note que não é incomum nos nossos arraiais vermos pessoas justificando pecados atrás de família, criação, ambiente e essa lista poderia ser interminável.

Mas o que a Bíblia diz? Quem é o nosso inimigo mais próximo, perigoso e cruel? Com quem devemos ter mais cuidado na nossa luta incessante contra o pecado, já que sem a santificação ninguém verá o Senhor?

Achei que nunca fosse dizer isso tendo um bom significado, mas aqui vai: olhe-se no espelho e encontre a resposta[1].

Quando Paulo escreve aos Gálatas e nos manda andar no Espírito, afirma: Porque a carne milita contra o Espírito e o Espírito contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que porventura seja do vosso querer (Gl. 5:17). Não fazer o que se quer não é algo fácil, por isso a grande luta do mesmo Paulo em Romanos 7.

Tiago, quando fala sobre tentação, não aponta para a figura do conhecido Tentador, mas ao falar da origem do pecado, declara que cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando essa o atrai e o seduz. Note que a coabitação entre a minha cobiça e eu mesmo faz com que eu gere um filho que tem duas vezes o meu DNA e isso é algo que preciso me desvencilhar, pois é o que me matará; então a cobiça, depois de haver concebido, dá a luz o pecado, e o pecado, uma vez consumado, gera a morte (Tiago 1:14,15).

Pedro também trata do assunto ao ordenar que não devemos nos entregar às nossas próprias paixões, como fazíamos antes e na continuação desse argumento, ele nos exorta, como peregrinos e forasteiros, que nos abstenhamos das paixões carnais que fazem guerra contra a alma.

Não é fácil. Mas os Apóstolos acima aprenderam essa lição com o próprio Mestre. Eles foram convocados negarem-se a si mesmos, e instruídos a entrar pela porta estreita.

Você não consegue deixar o pecado e está procurando o culpado? Enquanto muitos falsos mestres tentarão achar um álibe para a o seu pecado, deixe-me conduzi-lo ao espelho para que você veja, cara a cara, quem é o verdadeiro problema, e se quiser reclamar de alguma coisa, aprenda com Jeremias: Queixe-se cada um dos seus próprios pecados (Lamentações 3:39).

Pelo Reino e com amor,

Samuel Vitalino


[1] Não são batidos os textos que falam da corrupção do nosso coração, mas como já são tão conhecidos, trarei alguns outros que se somam a Jeremias 17:9, Provérbios 6:14; 12:20 e outros.