Subscribe Twitter Twitter

27 de dezembro de 2011

Um evangelho pós-moderno para o mercado global

[capa_classificados.gif]O mundo tem se tornado num mercado globalizado e o evangelicalismo tentando se pós-modernizar rebaixa-se a um produto que atenda ao gosto dum maior número de consumidores. Hoje ser “protestante” é para muitos um rótulo indesejável, historicamente descontextualizado e politicamente irrelevante, é preferível ser chamado apenas de evangélico, porque não expressa nenhuma idéia negativa de ser contra alguma coisa. John MacArthur Jr. observa que “aparentemente o maior medo que o movimento evangélico tem hoje em dia é de ser visto como posicionado em desarmonia com o mundo”[1]. A dinâmica do dia é fazer o evangelho aceitável para poder vende-lo.

Nesta negociata qualquer coisa pode ser vendida, por que tudo é transformado em mercadoria: idéias, emoções, poder, influência, relacionamentos e até as bênçãos divinas são oferecidas por líderes religiosos que pensam monopolizar o Espírito Santo. Surge uma nova espécie de simonia: a venda de sentimentos travestidos de religiosidade e aceitação divina.

Tamanho é o esforço de acomodar o evangelho pós-moderno numa embalagem que o apresente como um produto atrativo, ele vira uma mercadoria onde o seu sucesso de venda dependerá de quem melhor manipula os holofotes da publicidade. O profano tem um colorido sedutor em que tudo é aceito por causa do dinheiro, assim, o mercado não nutre preconceitos, visando somente o lucro. O supérfluo é cambiado em necessário aguçando o consumo. Agitando o orgulho e despertada a cobiça, o consumidor é induzido à carência não do que realmente precisa, mas do que o paradigma consumista lhe impõe como sendo absolutamente necessário!

Em ritmo de concorrência o evangelho pós-moderno assume a disputa da livre-oferta. Nesta ideologia não existe a intenção de elevar os valores das pessoas a outro nível de consciência para que vivenciem a comunhão com Deus e a mutualidade. Este evangelho interesseiro tenta se adequar ao mercado, mas com isto perde o seu sabor e brilho (Mt 5:13-16), e, progressivamente esvazia-se de sua dimensão profética, de denúncia e anúncio! Despe-se de seu caráter ético, de crítica, de uma proposta integral transformadora pelo poder de Deus, manifestando o Seu Reino, em Cristo Jesus.

Ewerton B. Tokashiki


[1] John MacArthur Jr., Princípios para uma cosmovisão bíblica (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2003), pág. 8

14 de dezembro de 2011

Sobre a Famigerada "Lei da Palmada"



O projeto de lei que proíbe a palmada dos pais nos filhos foi aprovado hoje (14/12) na Comissão Especial criada na Câmara dos Deputados para analisar a matéria. Agora o projeto de lei que proíbe a palmada irá direto para votação no Senado, a não ser que haja recurso de, pelo menos, 10% dos deputados, para que a matéria seja discutida no plenário.
O projeto possui muitos equívocos, o que pode ser percebido a partir das palavras dos debatedores, especialmente os que são favoráveis à proibição. A relatora da Comissão, deputada Érika Kokay (PT- DF), disse o seguinte, de acordo com matéria do site G1: “Educar batendo traz transtornos e consequências graves à vítima da violência para o resto da vida. Não se trata de impedir que os pais imponham limites aos filhos, mas sim que esses limites não sejam impostos por meio de agressões. Com a lei, as famílias vão formar pessoas mais íntegras e honestas, porque você elimina a relação do forte dominar o mais fraco. Quem é agredido aprende a resolver conflitos através da violência e a subjugar o mais fraco”.
Como um cidadão cristão, que tem direito de seguir a um padrão ou regra de fé e prá-tica, no meu caso, a Bíblia, discordo veementemente da deputada. Ela falha porque possui uma noção equivocada do princípio da disciplina doméstica. Se o ser humano fosse puro e bom em sua natureza e não demonstrasse desvios no caráter desde a mais tenra idade, tudo bem, mas não é o caso. Note que ninguém ensina a uma crian-ça a fazer birra ou manha; ela já nasce pecadora e tendendo ao erro. Por essa razão, a disciplina é, na realidade, um gesto de amor, quando aplicada corretamente. A “pal-mada” é necessária para que a criança não seja entregue a si mesma, porque ela tem maldade suficiente em seu ser para se acostumar a desobedecer regras, desrespeitar autoridades e ultrapassar os limites. “A estultícia está ligada ao coração do menino; mas a vara da correção a afugentará dele” (Pv 22.15). A criança entregue a si mesma se revolta primeiro contra os próprios pais. A Bíblia diz: “A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Pv 29.15).
Se este projeto passar e a lei pegar, o que teremos no Brasil não é o que a deputada espera. Teremos jovens delinquentes e incontroláveis, escalada da violência, desacato a autoridades e uso crescente de drogas. Pense comigo: quem são os tendenciosos à violência na escola? São as crianças disciplinadas desde cedo ou as que não recebem limites nem disciplina dos pais? Entendo a preocupação do governo, ainda mais quan-do penso nas crianças que apanham em demasia dos pais. A Bíblia fala do uso da vara, mas não com exagero: “Castiga a teu filho, enquanto há esperança, mas não te exce-das a ponto de matá-lo” (Pv 19.18).
A fim de evitar o erro nessa questão, Paulo orientou aos pais: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Calvino disse que o excesso de rigor na disciplina provoca a ira dos filhos. A preferência de um em detrimento dos outros também. William Hendriksen, comentando a mesma passagem, fala ainda do mau exemplo, o famoso “faça o que eu mando; não faça o que eu faço”, como fator que provoca a ira dos filhos. Em vez de provocar a ira dos filhos, a Bíblia instrui os pais a criarem (nutrirem, promoverem o crescimento – o amor está implícito) seus filhos com uma dinâmica interessante: equilíbrio entre correção (paidéia) e conversa (parakaléo). Converse com seu filho para prevenir futuros e possíveis erros. Instrua mediante a constante conversa (Dt 6.5-9). Mas quando o filho errar e uma conversa for pouco (por exemplo, mentira, desrespeito, desobediência, imoralidade, desonestidade são faltas passíveis de punição com vara em minha casa), a disciplina corretiva deve ser usada.
O governo insiste em dizer que o ato de bater no filho é ato de violência. Primeiro, se a disciplina for praticada com amor, sem raiva, com a Palavra de Deus, com exortação, não caracterizará a violência denunciada. Disciplina é um gesto de amor: “O que retém a vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, cedo, o disciplina” (Pv 13.24). O texto diz que o que não disciplina, na verdade não ama a seu filho. A minha pouca experiência tem mostrado o contrário do que falam. Toda vez que disciplino meus filhos, eles se voltam para mim em arrependimento e sempre me abraçam depois. A disciplina possui um valor eterno para a criança: “Não retires da criança a disciplina; porque, fustigando-a tu com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrarás a sua alma do inferno” (Pv 23.13,14).
A relatora da comissão disse que “o projeto não prevê interferência do Estado na família”. Como? Me pergunto. Querem aprovar uma lei no meu país que me proíbe de dar uma varadinha no meu filho se eu, pai, responsável por ele, dentro do meu papel educativo e familiar, entender que a varadinha é necessária para moldar seu caráter pecaminoso. Se isso não é interferência do Estado em minha família, é o quê, então? Concordo com o Deputado Jair Bolsonaro, que afirmou que o projeto de lei representa interferência do Estado na família. Agora só me resta esperar que um recurso seja impetrado para que a discussão seja mais ampla no plenário da Câmara dos Depu-tados. Ainda assim, se passar, há esperança de que o Senado barre esta excrescência, se bem que a tendência por lá é de irem mesmo contra a Bíblia. A eles mando meu recado, embora saiba que não lerão este texto: “Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas o que aborrece a repreensão é estúpido” (Pv 12.1). Antes que me acusem de difamador, não fui eu quem disse isso; foi o Todo-Poderoso, Criador e justo Juiz de toda a terra, que inspirou a Bíblia e manifesta sua vontade através dela.

Pr. Charles

13 de dezembro de 2011

Reflexões Sobre Ministério Pastoral



A classe pastoral tem sido alvo de muitas considerações. Ora falam muito bem dela, ora tecem críticas severas. Já reparou como os jornais fazem questão de falar a religião e o ofício de um criminoso quando ele é um pastor evangélico? Eu, como pastor, já ouvi muitas piadas envolvendo dinheiro, mulheres e charlatanismo. Parece que o mundo odeia ainda mais aqueles que se identificam como pastores. Nem sequer me respeitavam, quando eu dizia que era pastor. A piada de mau gosto sempre vinha do mesmo jeito.

O motivo das piadinhas e das críticas é que o ministério pastoral está atualmente muito descaracterizado em relação àquilo que a Bíblia estabeleceu como padrão ministerial. Muitos pastores são maus pagadores. A primeira vez que fui financiar um automóvel, tive muita dificuldade de aprovar meu crédito, simplesmente porque eu sou pastor. Algumas financeiras diziam que não financiavam veículos para pastores. Muitos pastores são apegados a coisas materiais, são difíceis de relacionarem-se com os outros, alguns são grosseiros, ditadores, outros são bajuladores, outros tratam bem só os ricaços, interessados em seus altos dízimos o ofertas. Muitos pastores têm feito pouco caso da são doutrina e não pregam fielmente a Palavra de Deus. Quando isso acontece, as ovelhas atentas de Cristo percebem. A Bíblia ensina que o ministro deve ter bom testemunho tanto dos de dentro como dos de fora, mantendo uma vida irrepreensível, um caráter nobre, para a glória de Deus.

Por outro lado, existem boas recordações de bons ministros da Palavra. Se há pastores que devoram a gordura das ovelhas, há, por outro lado, daqueles que as amam. Há pastores que são atenciosos, que são fiéis à Palavra, que são austeros no governo da igreja, homens de oração, piedosos, são bons pais, excelentes maridos, padrões na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza. Há bons pastores de todo jeito e tipo de personalidade. Há daqueles que são muito emotivos e expansivos, há daqueles mais fechados, porém amorosos do mesmo jeito, há daqueles que inspiram um certo ar de temor, há daqueles intelectuais, outros mais simplórios na oratória, alguns excelentes administradores e presidentes (bons líderes), outros excelentes no cuidado do rebanho. Estes honram a nobreza da tarefa dada por Cristo. Estes são exemplos para toda a igreja. São imitadores de Cristo e a igreja deve imitá-los.

Mas algo deve ser dito antes de chegar ao fim dessa reflexão. Nenhum dos grandes pastores que já pisaram este mundo é ou era perfeito. Todos possuíam defeitos. A diferença é o quebrantamento e constante arrependimento diante de suas falhas. Os maus pastores não confessam seus pecados e não se humilham na presença de Deus. Bons pastores, se humilham e se arrependem de seus erros. Maus pastores não pedem perdão. Bons pastores reconhecem seus erros perante as ovelhas e perante Deus. Maus pastores não amam a Deus sobre todas as coisas. Bons pastores amam as ovelhas porque amam a Deus em primeiro lugar. Como Deus amou as ovelhas a ponto de entregar seu Filho por elas, o pastor bom as amará.

Para finalizar, deixo algumas recomendações amorosas. Ore pelos pastores para que eles sejam sempre servos de Deus excelentes e aprovados. Ore para que seus defeitos sejam minimizados pelo aperfeiçoamento do caráter cristão em sua vida. Ore para que o Espírito de Deus os encha de tal forma que sejam mais e mais amorosos e altruístas. Não fale mal deles; ore! Não os desobedeça; trate com honra e dignidade (Hb 13.17). Encoraje, ame, ouça, valorize! Que coias maravilhosa é para um pastor receber este gesto de suas ovelhas. Assim serão sempre estimulados e ser excelentes ministros de Deus, a bem do evangelho.

Pr. Charles

6 de dezembro de 2011

O melhor de Deus ainda está por vir?

cruz

A frase virou mesmo um chavão e está constantemente na boca de vários irmãos. Diante dos problemas e adversidades, a palavra de “consolo” é: “Não se preocupe, o melhor de Deus para a sua vida está por vir”. O que se quer dizer com isso é que por mais que a vida tenha lá suas adversidades e problemas, aquele que sofre pode estar descansado, pois haverá um dia em que as lutas cessarão, não haverá mais pranto e nem dor.

Conquanto seja isso verdadeiro e prometido na Escritura, que afirma que o Senhor enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 21.4), é preciso analisar o que de fato se deseja ao dizer que “o melhor de Deus está por vir”.

Se com essa frase os crentes estivessem almejando estar de uma vez por todas na presença física do Senhor Jesus, ela ganharia um belo sentido, porém, ao observar que ela é dita geralmente em momentos de dificuldades, fica evidente que “o melhor de Deus” que é esperado é simplesmente a ausência das tribulações. Nesse caso, perde-se a perspectiva de que o melhor de Deus já veio quando ele enviou seu Filho ao mundo (Jo 3.16) em semelhança de homens (Fp 2.7) para justifica-los pela fé e conceder a eles paz com Deus (Rm 5.1).

Quando o Senhor Jesus afirmou a seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14.27), ele falava sobre a reconciliação com Deus, não sobre a ausência de problemas. Se assim não fosse, os discípulos não teriam ouvido dele que no mundo teriam aflições (Jo 16.33). A despeito disso ele ordena aos discípulos ter bom ânimo, o que demonstra que o consolo não estava em esperar a cessação das aflições, mas na certeza de que aquele que venceu o mundo estaria com eles todos os dias, inclusive em meio às dificuldades, até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Era a certeza de que Jesus era o melhor de Deus e, portanto, suficiente para a sua vida que levava Paulo a declarar: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Sua alegria não dependia das circunstâncias, mas de estar na presença do Senhor Jesus. Por isso mesmo ele também podia dizer que viver para ele era Cristo, e morrer, lucro, pois sabia que estar com Cristo é incomparavelmente melhor (cf. Fp 1.21,23).

Saber que o melhor de Deus para nós, Cristo Jesus, já veio deve nos levar ao entendimento de que até as tribulações e aflições não fogem a seu controle, antes, são usadas pelo Senhor para nos tornar cada dia mais parecidos com o nosso Redentor. Isso nos leva também a colocar em prática as palavras de Tiago, que diz que devemos ter como motivo de muita alegria o passar por várias provações, entendendo que a finalidade da provação é produzir a esperança, que cumpre o seu papel ao nos tornar perfeitos, íntegros e em nada deficientes (Tg 1.2-4).

Como já foi afirmado, uma vida sem aflições, sem pranto e nem choro é prometida por Deus para aqueles que são de Jesus. Porém, querer estar com Jesus não por quem ele é, mas por aquilo que ele nos concede e concederá é uma atitude idólatra, que revela que amamos mais a bênção concedida do que aquele que nos abençoa.

O melhor de Deus já veio, Cristo Jesus, e se buscarmos nele alegria e satisfação viveremos também contentes, em toda e qualquer situação.

Milton Jr.

23 de novembro de 2011

Amando a Deus e a família na ordem certa


Os Dez Mandamentos devem ser aplicados em todas as áreas da sociedade, especialmente na família. A Lei Moral são princípios absolutos, imutáveis e universais, ou seja, ela sempre será verdade em qualquer cultura, em todas as épocas e em todos os lugares. Não importa a geração, nem mesmo a experiência ou a falta de maturidade de vida, a Palavra de Deus dura para sempre e eternamente será reguladora para determinar como devemos viver de modo agradável diante de Deus.

O primeiro mandamento do Decálogo determina que não devemos amar ninguém acima do SENHOR Deus. Esta é uma ordem que não pode ser negociada. Somos devedores do cuidado que nossos pais dispensaram a nós. Numa outra relação, também temos um vínculo afetivo intenso com os nossos filhos, mas isso não seria motivo para amá-los acima do Senhor.

A tendência natural de supervalorizar os nossos pais e filhos acima das outras pessoas comuns é uma forma saudável de amá-los. Entretanto, isto torna-se numa atitude perigosa, quando os colocamos acima de Deus. Por isso, o nosso Senhor exige um amor exclusivo que é dEle, numa relação incomparavelmente superior em intensidade e qualidade. Isto significa que devemos amar, temer e obedecê-Lo prioritariamente acima de qualquer pessoa que valorizamos, mesmo que sejam nossos pais, ou os nossos filhos. O Senhor Jesus nos adverte declarando que "quem ama seu pai ou mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim" (Mt 10:37).

Como advertência lembremos do negativo exemplo do sacerdote Eli e os seus dois filhos, Hofni e Finéias (1 Sm 1:3-4:18). A profecia contra a casa de Eli foi terrível por causa da gravidade do seu pecado, isto é, ele idolatrava os próprios filhos. Deus reprovou o sacerdote, dizendo: "por que pisais aos pés os meus sacrífcios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei se me fizessem na minha morada? E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel?" (1 Sm 3:29). Qualquer sentimento por nossos filhos que supere o nosso amor e temor pelo SENHOR torna-se numa disposição ou ato de idolatria contra Deus.

A Escritura Sagrada narra a submissão de Abraão pelo SENHOR, quando Ele exigiu que o pai da fé sacrificasse Isaque sobre o monte Moriá (Gn 22:1-19). O amor e devoção de Abraão estava acima de tudo, direcionada para a glória de Deus. Ele foi honrado pela sua obediência. O Anjo do SENHOR lhe disse: "jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho" (Gn 22:16). Por serem nossos filhos herdeiros da Aliança, devemos conduzi-los como eles são: do Senhor Deus.

Você deve amar os seus filhos e os seus pais, entretanto, adoração é algo que somente Deus merece. Não podemos obedecer aos nossos pais, se eles exigirem que façamos algo contrário à Palavra de Deus. Do mesmo modo, não devemos satisfazer aos caprichos dos nossos filhos, mimando os seus desejos pecaminosos, isto é uma forma de idolatria, porque desonramos voluntariamente a ordenança de Deus de sermos santos, e de consagrarmos tudo a Ele, em todas as circunstâncias, em especial, a nossa família. Não coloquemos a nossa família em perigo, lembre-se: Deus odeia a idolatria!

Os nossos pais e filhos precisam ter certeza de que em nossos relacionamentos estarão seguros, não porque os amamos acima de qualquer um, ou de todas as circunstâncias, mas sim, porque amamos ao Senhor sobre todas as coisas.

17 de novembro de 2011

Esposa: Seu Marido é Seu Senhor!

O texto de I Pedro 3:5,6 deixa as mulheres de cabelo em pé, pois no contexto de falar de submissão, Pedro trás o exemplo de Sara, que sendo grande exemplo a ser seguido, chamava Abraão de Senhor, e assim, diz Pedro, as mulheres crentes devem agir.

Não existe dúvida que nossa sociedade rejeitaria tamanha reverência de mulheres aos seus maridos, mas eu gostaria de abordar aqui a razão pela qual Pedro faz essa retumbante declaração, e eu espero que isso sirva às mulheres com o propósito de fazer-lhes entender o seu papel e ainda, consolá-las quanto às conseqüências dessa assertiva aos homens.

Primeiro, entendamos rapidamente o texto. Os versos de 1-6 são dirigidos por Pedro às mulheres e apenas o verso 7 aos homens. Ele vem dando, desde I Pedro 2:11,12 alguns conselhos aos peregrinos e forasteiros - que na época eram literalmente dispersos (1:1), mas que se aplica a todos os crentes – a se comportarem frente a suas autoridades:

  1. Governamentais (2:13-17), mesmo que sejam maus naquilo que fazem;
  2. Patronais (2:18-25), mesmo quando são injustos; e agora:
  3. Familiares (3:1-7), mesmo quando eles não obedecem a Palavra.

E é aqui que as dúvidas começam, pois como ser submissa a alguém que não conhece a Palavra, como o Apóstolo sugere?

Irmãs, esse texto não deve ser visto por vocês com tristeza ou peso, mas ao contrário, como pretendo mostrar aqui.

Sempre que se fala desse texto, pensa-se imediatamente que ele fala do jugo desigual, e, de fato, há aplicações fortíssimas, pois mesmo em jugo desigual a verdade desse texto não muda e nem tampouco suas aplicações. Sendo claro, se você for casada com um descrente e ele mandar que você não vá para a Igreja, você deverá obedecê-lo, pois é seu dever criacional fazê-lo. Espero que as moças leiam isso com muita atenção antes de cometer tamanha loucura. Mas...

Parece que esse texto não fala diretamente a casais em jugo desigual, mas se aplica a crentes que não obedecem a verdade, e bem que isso acontece com freqüência. Daí entendermos porque Abraão e Sara foram trazidos como o casal exemplo do texto nos versos 6,7.

Sendo bem prático: Abraão não obedeceu a verdade quando mandou Sara se passar por sua irmã no Egito e ela corria riscos terríveis ali (Gênesis 12:10-20), e por mais que Sara não concordasse com aquela postura de seu marido, obedecia porque Abraão é o seu Senhor (kurios – mesma palavra usada para o Senhor).

Qual a consequência disso? Aí é onde os homens é que devem tremer diante das verdades do versículo 7 (algumas delas eu já coloquei nesse post: A Reforma começa em casa), mas no contexto dos versos anteriores, os homens assumem toda a responsabilidade quando não obedecem a Palavra e suas esposas lhe obedecem (como manda a Palavra).

Notem que isso é quase uma revolução ao pensamento atual que reza que as mulheres devem desobedecer seus maridos quando pensam que farão algo errado, mas esse texto mostra que tamanha responsabilidade os homens precisam carregar, pois como o Senhor, com quem são comparados, eles precisam assumir a culpa pelos erros de suas esposa, assim como Cristo o fez pela Igreja (Cf. Efésios 5:25 e contexto).

Então quando Sara obedeceu Abraão e lhe chamava de Senhor, lembrava a ele da responsabilidade que tinha até mesmo pelos atos que ela realizava. O casamento perfeito diante de Deus é aquele em que o homem é homem de verdade e não divide responsabilidades com a esposa, mas coloca todas elas sobre as suas costas, mas divide todas as glórias e louros, como alguns exemplos Bíblicos nos lembram:

  • Adão levou a culpa pelo pecado de Eva, mas ainda assim lhe deu o nome de Vida!
  • Salomão era o Rei sábio e poderoso, mas louvou a virtuosidade e dividiu a glória com sua Sulamita.
  • José sairia sem difamar Maria, mesmo quando pensava ter sido traído por ela, pois ela estava grávida sem que tivessem coabitado.
  • Finalmente, Jesus paga o preço por cada erro de sua noiva Igreja e a convida para gozar as mais deliciosas bênçãos juntamente com ele e sua herança.

Se você é mulher, descanse na submissão ao seu esposo, pois a responsabilidade é dele.

Se você for homem, assuma. Essa é a sua responsabilidade!
-----------------------------------------------------------
Assista a pregação sobre esse tema na íntegra clique aqui

[Reli o texto. Não quero que as meninas pensem que esse posicionamento abre portas para que ela não pensem como devem pensar ao buscar o casamento...

Mas fui convencido que o mesmo que é dito acerca de outras autoridades se aplica também ao marido.

Mesmo isso não ficando claro no texto, por inferência mostrada por amigos, faço essa retificação sem prejuízo da necessidade do estudo no assunto!

Agradeço aos amigos que me ajudaram nisso!]

10 de novembro de 2011

O dEUS DO ABISMO!

Há dois artigos escritos por E. R. Kivitz em seu Blog “Outra Espiritualidade” que muito me chamaram a atenção . De início não posso negar a honestidade do autor em se associar ao subjetivismo pós-iluminista muito em moda hoje. Em sua inflamada crítica à Teologia Reformada, ele se agrega (sem nenhum constrangimento) à escritores que produziram, do ponto de vista teológico, o que eu chamo de lixo letrificado. São pessoas da laia de Marx, Nietzsche, Freud e Sartre. Sem contar os “outros caras do tipo” que fizeram minha mente vaguear por Michel Foucault, Wilhelm Reich, Claude Alzon, Jacques Lacan e por aí vai. Surpreendeu-me a forma como tais autores foram harmonizados em suas propostas teóricas quando, na verdade, travaram batalhas epistemológicas colossais.

O assunto central já é conhecido de todos por aquilo que se chama Teísmo Aberto, porém os artigos citados trazem uma colherada a mais ao asseverar que pessoas crédulas no que está em 1 Crônicas 29: 10 – 19 são: alienadascovardes e infantis. Se esta afirmação leviana atingisse apenas pessoas ínfimas e desconhecidas como eu, tudo estaria bem. O problema é que pessoas muito melhores foram atingidas. Dentre elas cito o Apóstolo Paulo que ousou afirmar: “Mas quem é você, ó homem, para questionar a Deus? ‘Acaso aquilo que é formado pode dizer ao que o formou: Por que me fizeste assim?’”. Ou Davi quando escreveu: ”Todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir”. Nabucodonosor foi reduzido a um tolo quando exclamou: “Todos os povos da terra são como nada diante dele. Ele age como lhe agrada com os exércitos dos céus e com os habitantes da terra. Ninguém é capaz de resistir à sua mão ou dizer-lhe: ‘O que fizeste?’”. E Jó a um insano ao declarar diante da sua tragédia: “O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor”. Até o Salvador Jesus foi afrontado por dizer: “Não se vendem dois pardais por uma moedinha? Contudo, nenhum deles cai no chão sem o consentimento do Pai de vocês. Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados.” Minha indignação cresce quando contrasto estas palavras do Senhor com a afirmação: “Muita gente procura em Deus o pai que nunca teve e ou gostaria de ter tido, isto é, aquele protetor e provedor incondicional, para quem se corre quando a vida faz careta.”. Embora haja ironia e desprezo por parte de Kivitz, foi assim que Deus se revelou, foi assim que Jesus o apresentou!

Quanto ao comentário “Não são poucos os que se apegam ao ‘fator Deus’ em busca de consolo para sua infelicidade na existência e sobrevivem do sonho do paraíso pós-morte, deixando a história entregue aos oportunistas”, não vejo como alguém pode “entregar” a história aos oportunistas por uma (pseudo) passividade paradisíaca. Aliás, esse discurso marxista com relação à História já passou do obsoleto, chegando às raias do inaceitável, pois a História não é um ente que se entrega a um espertalhão, mas é uma simples construção da memória. Em outras palavras, História não se faz no cotidiano cultural, mas se constrói por meio de pesquisa como atividade majoritariamente acadêmica. O historicismo hegeliano precisa ser exorcizado juntamente com a metodologia dialética estruturada no pensamento socialista. Além disso, bem ao contrário do que é insinuado, eu desejo ouvir na eternidade: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo”. Aleluia, nada posso fazer por este paraíso, pois o Deus soberano o preparou completamente há muito tempo.

Com a afirmação “[Deus] manipulava todas as circunstâncias da minha vida como um tapeceiro que corta fios e dá nós no emaranhado do avesso do tapete, para revelar a bela paisagem ao final do processo, capaz de encantar todos aqueles que olham pelo lado certo”, Kivitz transforma Romanos 8 em uma grande trapaça. Eu, ao contrário, acredito numa soberania que ultrapassa a minha mente. E nenhuma ‘metanóia’ kivitziana (“expansão de consciência”) fará com que eu alcance esta suprema divindade do Criador.

Vejo problema também quando o articulista afirma que Nietzsche, Marx, Freud e Sartre lutaram, não contra Deus, mas contra a religião somente. Reificar a religião protestante é atividade de cientistas sociais ateus que, desde Feuerbach, desprezam qualquer conhecimento revelado objetivamente. Nietzsche, por exemplo, apregoava o surgimento do super-homem que suprimiria o escravo-homem. Tomar a ideia de um Deus objetivo neste contexto seria, no mínimo, paradoxal. Marx esperava uma sociedade sem classes (pobre utopia) em detrimento da escatologia transcendental. Tomar a ideia de um Deus objetivo neste contexto seria, no mínimo, ilógico. Freud acreditava no que ele mesmo chamou de “mal estar da civilização”, ou seja, um tipo de sublimação cultural que fazia do indivíduo um re-direcionador da sexualidade. Tomar a ideia de um Deus objetivo neste contexto seria, no mínimo, imoral. Sartre contradisse o existencialismo cristão (quanto à sua metafísica transcrita) com as três fases denominadas: desamparoangústia e desespero, tidas como características da existência em contraposição à essência (basta lembrar o impagável exemplo do ‘cortador de papéis’). Tomar a ideia de um Deus objetivo neste contexto seria, no mínimo, incoerente. Logo, tais produtores de lixo letrificado do ponto de vista teológico estavam na onda do ateísmo que se propagou a partir do século XIX. Sim, seus canhões se voltaram contra Deus, até porque, não concebo a revelação divina fora da esfera do cristianismo, da Igreja ou do corpo de Cristo na terra.

A meu ver, o Teísmo Aberto conduz, no final das contas, o indivíduo a um desespero abissal pelo fato de ele conviver com uma divindade que não é capaz de guiá-lo ou de agir soberanamente. Pensar que o meu futuro e o futuro dos meus filhos estão lançados à própria sorte é, no mínimo, angustiante. Talvez seja por este motivo que Kivitz ceda à lógica Reformada ao dizer: “Descanso no fato de que, apesar de Deus não ser a causa primeira de tudo quanto me acontece, não há qualquer coisa que venha me acontecer que esteja fora do seu conhecimento, controle e cuidado.” Embora haja aqui um contraste com a doutrina da Providência por retirar de Deus o status de causa primeira, salta aos olhos a necessidade de se ter uma divindade que, de uma forma ou de outra, é a mesma pregada pelos Pais Apostólicos, por Agostinho, por Calvino e pela Teologia Reformada.

Concluo dizendo que os textos analisados não escapam à subjetividade visceral peculiar a todos os que defendem a Teologia Relacional como proposta que retira das vísceras um deus estranho à revelação textual das Escrituras. É por isso que eu prefiro conhecer o Criador por meio da sua bendita Palavra que revela o suficiente à minha vida de cristão e de servo eleito que crê na soberania divina, na providência teísta e na majestade absoluta de Deus. Neste caso, até mesmo Aristóteles, com sua teoria do Motor Imóvel, conseguiu se aproximar da Verdade sem, contudo, alcançá-la. Proximidade que não ocorre com os defensores de um deus fraco e passional semelhante aos deuses do monte Olimpo. Quanto a mim, fico com Aristóteles, fico muito mais com as Escrituras.

Que Deus seja Deus!

SOLA SCRIPTURA