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20 de dezembro de 2010

É Natal, e daí?

Fiquei a pensar sobre o que escrever em mais um Natal. Não que os assuntos sejam escassos, a questão é que todos já estão mais que batidos.

Eu poderia escrever sobre a imprecisão da data, ou seja, que Jesus não nasceu em Dezembro ou Janeiro (como quer a Igreja Cristã Oriental), pois essa época é extremamente fria na região da Judéia e os pastores, conforme o Evangelho de Lucas 2: 8 – 20, não estariam no campo com suas ovelhas. Aliás, por esta informação do evangelista, o nascimento do Salvador se deu, provavelmente, entre maio e julho.

Eu poderia escrever sobre a já tão batida questão da incorporação do paganismo romano ao cristianismo. Refiro-me às antigas comemorações do solstício, festa celebrada pelos pagãos do império romano e que serviu de inspiração para o atual “25 de dezembro”. Poderia até reforçar dizendo que a Igreja Primitiva, antes da suposta conversão de Constantino, nunca festejou o nascimento de Jesus.

Eu poderia escrever sobre os elementos estranhos que nada têm a ver com Jesus. Temos a árvore e a guirlanda, elementos da flora que serviam como objetos de adoração aos antigos nórdicos, elementos esses que passariam a simbolizar o Natal. Há as luzes que tremulam nas casas, perpetuando a memória das velas utilizadas nos templos católicos. Há o São Nicolau de Myra (conhecido por aqui como Papai Noel) que, com sua indumentária “made by Coca-Cola Company”, alegra a imaginação dos que querem receber presentes e agrados.

Eu ainda poderia escrever sobre o maldito consumismo exacerbado estimulado pela mídia que, por seus fortes apelos, leva muitos ao crime do roubo. Há a famosa “depressão natalina” que aumenta os rendimentos dos psicólogos e dos psicanalistas. Há as mensagens de solidariedade, amor e caridade, mensagens essas totalmente esvaziadas de sentido.

Como vocês podem ver, eu poderia escrever sobre muita coisa...

Na tentativa de inovar, eu poderia escrever informando que não tenho nada contra os que possuem, tanto em casa como na igreja, uma árvore de natal, guirlandas, bolas coloridas, lâmpadas que piscam, e todos os apetrechos comuns à data. Poderia tornar público que presenteio nessa época, além de gostar de receber presentes, é claro. Poderia informar que comemoro o Natal com a família, felicitando-os na virada do 24 para o 25 de dezembro. Aliás, nessa época eu só não bebo, pois desde 1987 tornei-me abstêmio, embora não veja problemas quando outros bebem com moderação.

Como vocês podem ver, eu poderia revelar muita coisa sobre mim...

Mas o que importa tudo isso? Em que cresceríamos diante dessas informações tão batidas? Diga-se de passagem, o Natal como comemoração mais divide do que ajunta, mais rui do que edifica, mais escandaliza do que estabiliza. E é por esse motivo que, para mim, o mais importante nessa época (e em qualquer época do ano) é saber que Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Ou seja, vindo a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. Como resultado, posso afirmar que fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal (João 3: 16, 17; Gálatas 4: 4, 5; 1 Timóteo 1: 15).

Disso todos sabem, mas é a mensagem que vale a pena repetir.

O que escrever a mais? Apenas isto: muito obrigado meu Senhor pelo nascimento do meu Salvador, evento histórico que ratificou a minha salvação e eleição.

E é nesse último contexto, e apenas nele, que eu desejo a todos um feliz natal!

Sola Scriptura!

Alfredo de Souza

14 comentários:

Simone Quaresma disse...

Pois é Alfredo, fico pensando que tipo de festa religiosa é esta que é comemorada simultaneamente por cristãos, budistas, espíritas, umbandistas... Podem até dizer que foram eles que nos roubaram a data, mas que é estranho, é! Fora algumas questões que você colocou e eu adorei, pois sempre bato nesta tecla. Natal é sempre a data em que há mais briga em família! Morro de dó vendo meus amigos tentando resolver durante semanas se vão passar com a mãe ou com a sogra... Ninguém chora a falta que o pai faz, mas no natal...Ah, e tem também a obrigação "religiosa" de comprar uma roupa nova no natal, imagina ir pra ceia com uma roupa usada...nem pensar! Agora o que mais me irrita é ter que ceiar só à meia noite. Todo mundo morto de fome e de sono, olhando aquela mesa linda e cheirosa!!!!
Apesar de todas as críticas ao natal, aqui em casa vai ter bacalhau, chester e rabanada!! Você e Sandra estão convidados!! E se vierem cheguem cedo, nós jantamos às 20:00!!!!!!!!

Alfredo de Souza disse...

Querida Simone, concordo em número, gênero e grau com você. Aliás, particularmente não vejo muito sentido no festejo do Natal, pois na minha mente de historiador percebo as construções culturais tão distantes do Senhor Jesus. Há alguns anos, aqui na PIPR, já estipulei que as apresentações natalinas só ocorram no sábado. No Domingo o culto acontece regularmente com toda simplicidade reformada sem alusão à data.

Abração!

P.S. Ir ao Rio em meio a esta guerra civil? É ruim, heim?!

Naziaseno disse...

Alfredo,

Celebrar o natal? É claro que devemos comemorar; aliás não podemos perder um minuto sequer desse festejo, pois ele só dura um ou no máximo dois dias. Nós aguardamos um ano para cantarmos: "Noite Feliz", "Surgem Anjos Proclamando", "Mal Supõe Aquela Gente", entros outros... E a pregação natalina? Ah! Essa é desejada com muitas expectativa. Somente uma vez por ano ouve-se a pregação do Cântico de Maria, as rudezas da manjedoura, a saga de José e Maria como fugitivos, os magos e seus presentes... E o coral? Belos hinos natalinos cuidadosamente selecionados e preparados para essa única ocasião. E você acha que vamos perder? E a confraternização na Igreja? Nessa dia todos se olham e se tocam com um desejo expresso nos lábios: "Feliz Natal". Ah! Esse dia é muito especial. Dura pouco, então agente tem que desfrutar de todos os segundos desse dia singular. Ademais, os outros meses do ano é sem graça...cinzas... Salve o nosso calendário liturgico evangélico...Viva o Natal!

Anônimo disse...

Daí eu faço a mesma pergunta do blog de vocês a respeito do natal: e a Bíblia com isso????

Alfredo de Souza disse...

Naziaseno.

Vendo-o falar assim, percebo o quanto a minha ceia de natal este ano será mixe (rs rs rs). Desejo de coração a você um Feliz Natal e um ano de 2011 abençoado. É bom tê-lo aqui em nosso espaço.

 E a Bíblia com isso? disse...

Caro leitor Rafael,
Recebemos seu comentário, mas decidimos não publicar dado ao teor ofensivo.
Qualquer comentário que discorde dos posts será publicado, desde que seja em linguagem sadia e irrepreensível. Tratar o próximo com respeito e educação é ensinamento da Palavra de Deus.

Alfredo de Souza disse...

Caro Rafael.

A resposta à sua pergunta é simples. Não há nas Escrituras nenhum mandamento para que se festeje o dia do nascimento de Jesus. Inclusive as pistas trazidas pelos evangelistas do NT são opacas quanto à precisão da época. O próprio Apóstolo Paulo celebra muito mais a morte e a ressurreição que o nascimento do Salvador. O Natal que conhecemos é uma construção posterior que foi incorporada no calendário da ICAR e seguida pela Igreja Protestante. Ou seja, o que tem a Bíblia com relação à comemoração do Natal neste formato que conhecemos? A resposta é: quase nada!

Samuel Vitalino disse...

Meus irmãos,

Foi bom Alfredo ter levantado o tópico, apesar de nós mesmos discordarmos nesse assunto.

Creio que o que mais aprendemos nisso tudo é a respeitar as diferenças de opinião e a abrirmos o debate de forma sadia e respeitosa.

Entendi o post do Naziaseno... coo seria bom que esse sentimento nos ocorrece a cada Domingo, quando comemoramos aquilo que nos foi ordenado.

- Quero finalmente agradecer a Alfredito (El Garrido) pela maneira respeitosa com que tem tratado o assunto e pedis a quem discorda, inclusive você, meu caro Rafael, a sabermos que esses debates devem servir para construção, e não para divisão.

Curtindo a liberdade nesse dia 25, da bela Salvador,

Samuel

Eli Medeiros disse...

Meu caro Alfredo,
parabéns pela abordagem do tema. Edificante, retendo dele o que é bom. Só me permita dizer que suas observações quanto ao natal são postas em bases bíblicas, daí a Bíblia ter a ver com isso também. Em última análise, nossas posiçoes, favoráveis, contrárias, neutras devem ser postas segundo aquilo que acreditamos seja autorizado pelas Escrituras. Assim, a resposta quanto ao que tem a Bíblia com relação à celebração do natal é: tudo. Parabéns pelo texto! Um grande abraço,
Eli Medeiros

Alfredo de Souza disse...

Grande Eli.

Seja bem-vindo a este espaço.

Grande araço.

Alfredo de Souza disse...

Samuel.

Não tenho dúvidas de que concordamos muito mais que discordamos quanto ao assunto Natal. Como eu escrevi à Simone, aqui na Primeira Igreja a programação alusiva ao Natal ocorre na sexta-feira ou no sábado. No domingo temos o culto regular sem alusão à data, embora o tema sobre a vida e obra do Senhor Jesus possa ser pregado, mas isso não é regra. Conheço a sua posição e acho-a coerente com a sua cosmovisão reformada.

Abração, meu irmão querido.

Anônimo disse...

Graça e Paz, irmão Alfredo!
De modo direto o senhor exemplifica o verdadeiro significado do natal nesse parágrafo cito suas palavras: "Diga-se de passagem, o Natal como comemoração mais divide do que ajunta, mais rui do que edifica, mais escandaliza do que estabiliza".Então por que comemorar o natal? Não vejo base Bíblica para comemorar o natal, não há na Bíblia um mandamento claro para comemorar o nascimento de Cristo. Por outro lado, a Bíblia ordena comemorar sua morte. Vejo sua posição um tanto quanto incoerente, pois a mesma se contrasta. De fato o natal "estimula o consumismo, o roubo, o crime, além de deixar sequelas como a depressão etc.". Como o sr. mesmo disse. Como proclamador da teologia reformada não posso comemorar o natal.
Abraço, em Cristo Ainadabe

Alfredo de Souza disse...

Estimado Ainadabe.

Você tem toda razão quando diz que festejar o Natal não possui base bíblica. Eu mesmo já passei muitas viradas do 24 para 25 de dezembro dormindo e vivenciando o meu cotidiano normalmente sem comemorar a tal data. Defendo que as igrejas não deveriam sacramentar o evento dentro de um calendário litúrgico.
Em minha igreja mesmo, o domingo da semana de natal é despossuído de qualquer aparato natalino.

Todavia, particularmente, não vejo problema quando há alguma atividade natalina na igreja (jantar entre os membros, apresentações alusivas etc) desde que totalmente fora do culto, pois defendo que o culto deve ser simples e austero, sem "enfeites". Para você ter uma idéia, eu até tenho dificuldade em liturgias cheias de divisões temáticas, mesmo que em ambiente tradicional.

Também não partilho daqueles que são intolerantes. Um exemplo é quando um determinado pastor rotula um colega de neopuritano ou fundamentalista pelo simples fato deste não concordar em absoluto com a comemoração do natal. Isso é desrespeito e carnalidade.

Dito isto, creio que estamos mais em acordo do que em desacordo, você não acha?

Forte abraço.

blog da Alvina D'arc disse...

Parabéns Rev.
As igrejas precisam acordar para esta verdade..
Deus seja louvado por sua palavra.

Deus abençoe.