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16 de dezembro de 2010

Pais e Filhos, companheiros de peregrinação

imagesA última vez que postei alguma coisa (e isso já faz um bom tempo!) compartilhei com vocês algumas questões práticas acerca da comunicação no casamento. Vimos que embora a batalha pela boa comunicação seja milenar, é possível que o casal cristão alcance vitória nessa importante área do casamento se ouvir a palavra do Senhor e praticá-la.

Respondendo alguns comentários, prometi escrever no futuro alguma coisa sobre o relacionamento entre pais e filhos. Confesso que o desafio se não for igual é ainda maior, pois do mesmo modo que a relação conjugal, o relacionamento entre pais e filhos está em crise. Crise de liderança da parte dos pais. Crise de rebeldia da parte dos filhos. O resultado? Problemas sérios de comunicação na família. Acho que por isso demorei a escrever sobre o assunto!

Então, pensei em escrever sobre o tema baseado no que Paulo ensina aos Efésios sobre a relação entre pais e filhos (Efésios 6.1-4). Paulo acredita que entre aqueles que ouviriam a leitura de sua carta nas várias igrejas estariam os filhos. Mas por quê? (1) Porque eles são parte importante do Pacto (Gn 17.7; At 2.38, 39). (2) Porque o Senhor Jesus os ama. Ele mesmo disse que dos pequeninos é o reino dos céus (Mc 10.13-16). É por isso que a Bíblia tem uma mensagem importante sobre esse tema.

UMA PALAVRA AOS FILHOS (6.1-3)

1. Uma mensagem simples e direta aos filhos (6.1). Eles devem obedecer a seus pais, e esta obediência deve ser motivada não somente pelo amor, gratidão e estima por eles. Embora tais motivações sejam muito importantes, a obediência deve ser “no Senhor, porque isto é justo”. Em outras palavras, porque eu amo ao meu Senhor Jesus Cristo, eu obedeço àqueles que ele escolheu para me pastorear. A ordem bíblica para a harmonia dos relacionamentos familiares é sempre a mesma. O meu amor e devoção a Cristo irá moldar o meu amor e honra para com meus pais.

2. Paulo fortalece o seu ensino por meio de uma referência à Lei de Deus (6.2, 3). Ele lembra aos filhos o 5º Mandamento para lhes explicar que honrar pai e mãe significa:

a) Amar. A Bíblia nos ensina que o amor e a obediência caminham juntos. O filho demonstra verdadeiro amor para com seus pais quando os honra.

b) Aceitar suas determinações com obediência. O amor é fruto da graça de Deus em nossas vidas, enquanto a obediência é a resposta de gratidão a esse amor. A submissão que um filho deve aos seus pais quando exercida no Senhor se fundamentará sempre em Deus e em sua Palavra.

c) Mostrar um espírito de respeito e consideração. O filho deve sempre respeitar seus pais, nunca envergonhá-los ou zombar de suas fraquezas e deficiências.

d) Demonstrar tudo isso tanto para o pai como para a mãe, porque ambos são iguais em autoridade para com seus filhos. Diante de Deus, amor, obediência, respeito e consideração são iguais quando um filho olha para seu pai e sua mãe.

Por que este é um mandamento tão importante? Porque Deus promete longevidade àqueles que honram a seus pais. A resposta se acha na promessa ligada a ele: “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”. O que acontece quando fazemos o contrário? Apresento pelo menos algumas consequências:

a) A Desobediência aos pais indica uma vida indisciplinada.

b) Conduz ao vício e a destruição.

c) Associado a outros pecados semelhantes, diminui a expectativa de vida. O grande número de mortes entre os jovens brasileiros é uma terrível prova disso.

Filhos indisciplinados representam a ruína para a família, para a igreja, para uma nação. A grande causa da desestruturação familiar, crise de autoridade na igreja e toda quebra de valores morais e éticos que enfrentamos em nosso país resultam de uma geração de filhos desobedientes e indisciplinados. Porque todos os problemas começam em casa, Paulo continua sua admoestação se dirigindo agora aos pais.

UMA ADMOESTAÇÃO AOS PAIS (6.4)

1. Paulo também apresenta uma orientação aos pais (6.4). Ele se volta em particular para os pais (embora com aplicação também as mães) e diz, “… não provoqueis vossos filhos à ira”. Paulo se dirige especialmente aos pais por duas razões: (1) porque como pastores de seus lares são responsáveis pela educação de seus filhos. (2) porque na maioria dos casos, os pais necessitam muito mais do que as mães desta admoestação bíblica. Na maioria das vezes, nós pais somos os principais culpados por provocar a ira no coração dos nossos filhos. Como assim?

(1) Quando protegemos excessivamente. Nada em excesso faz bem. Superproteger um filho irá estragá-lo. Não são poucos os que dizem: “Ah! Se meus pais não tivessem me protegido tanto, eu saberia andar de bicicleta ou nadar!”.

(2) Quando preferimos mais um filho a outro. O exemplo de Isaque e Rebeca servem como ilustração. Ele favoreceu mais a Esaú; ela preferiu mais a Jacó. O resultado? Você já sabe não é? (Gn 25.28).

(3) Quando desestimulamos e oprimimos. Nós somos muito bons em corrigir, mas duros e frios em reconhecer as coisas boas que nossos filhos fazem. Conheço um pai (que se diz cristão) que não aceita que seus filhos cheguem a casa com uma nota abaixo de 9,5. Seus filhos vivem oprimidos e desestimulados. Definitivamente, isso não é pastorear o coração dos filhos segundo Efésios 6.

(5) Quando somos negligentes. No conflito entre Davi e seu filho Absalão, quem você acha que falhou primeiro? A falha era somente de Absalão? Não foi também Davi parcialmente culpado por negligenciar seu filho (1 Sm 14.13, 28)?

(6) Quando usamos palavras ásperas e violência física direta. A disciplina física quando necessária deve ser feita em amor, nunca com violência. Crueldade e palavras ásperas cheias de humilhação são pecaminosas e criminosas.

2. Paulo conclui seu ensino confrontando o aspecto positivo com o negativo. Ele diz que ao invés de provocar em nossos filhos à ira devemos educá-los “… na disciplina e admoestação do Senhor”. O que aprendemos com isso?

a) Que antes de sustentarmos os nossos filhos com comida, boa educação e lazer, nossa obrigação é educá-los e discipliná-los para que temam ao Senhor. A provisão espiritual deve vir antes da material. Se jogamos mais bola ou vídeo game do que oramos e lemos a Bíblia com nossos filhos; se trocamos o Dia do Senhor pela praia, ou Shopping Center, estamos invertendo as prioridades.

b) Que a educação dos nossos filhos deve ser cheia de amor e brandura. Contudo, isso não exclui a firmeza (ver Hb 12.11). “Disciplinar” diz respeito especialmente ao que se faz ao filho, enquanto, “admoestar” envolve primariamente o que se diz ao filho. Admoestar é educar com eficiência por meio da comunicação, seja ela ensino, advertência ou estímulo.

c) Toda a disciplina e admoestação ao filho devem ser “do Senhor”, ou seja, toda a atmosfera em que a educação é dada deve ser tal que o Senhor possa colocar sobre ela sua benção aprovadora.

CONCLUSÕES PRÁTICAS

(1) Uma palavra aos filhos: Honrem seus pais como vocês honram ao Senhor. Amem a seus pais como vocês amam ao Senhor. Obedeçam a seus pais como vocês obedecem ao Senhor. Se fizerem isso os problemas de comunicação serão superados.

(2) Uma palavra aos pais: Cuidem para que seus filhos sejam criados com amor segundo a Palavra de Cristo. Exercitem a boa comunicação. Disciplinem e admoestem com um santo desejo de que eles sejam crentes e não se percam. O próprio coração da educação cristã é conduzir o coração da criança ao coração de Seu Salvador.

Pr. Alan Kleber

14 comentários:

João Filho disse...

Normalmente leio esses post sobre a criação cristã de filhos e fico ansioso para provar dessa benção desafiadora.Mas dessa vez, não fiquei apenas ansioso. Como o post também fala dos deveres dos filhos, fui muito alimentado e corrigido por essa palavra. Há! não posso deixar de dizer que também me sinto muito motivado a obedecê-la. Visto a lógica existente entre honrar, obedecer e amar a Deus e aos pais, e também os benefícios propostos por Deus.
Parabéns pelo post e muito obrigado.

Milton Jr. disse...

Alan,
Post desafiador e estimulante... Que Deus nos ajude a cumprir, como pais, aquilo que ele requer de nós.

grande abraço.

Ligian disse...

Costumo dizer que dura coisa é ler textos assim. Por mais que nos esforcemos sempre achamos aquela falhazinha persistente e isso é frustrante. Creio muito na fidelidade da palavra do Senhor e me esforço e ler textos assim me desafiam ainda mais!
Deus te abençoe, irmão! Fui muito edificada!

Fortunato disse...

A longevidade prometida pela obediência ao quinto mandamento não se trata de um passe de mágica, mas de uma consequência da graça de Deus colocando no coração de seu povo o temor pelas autoridades por ele constituídas. Parabéns pela exposição da excelente fórmula que se distancia em muito na eficácia dos remédios e substâncias que os ditos cientistas buscam desenvolver para manter vivo o que o pecado jamais permitirá.

Alan Kleber Rocha disse...

João,

Submissão e amor são valores que caminham junto no Evangelho. Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro; e porque o amamos sentimos prazer em obedecer fazendo tudo aquilo que Ele nos ensina. Isso não pode ser diferente no relacionamento entre pais e filhos.

Um grande abraço, e que o Senhor te abençoe!

Alan Kleber Rocha disse...

Milton,

Devemos pastorear o coração dos nossos filhos, e isso só será possível pela graça de Deus. Quando confiamos em nós mesmos nada dá certo.

Grande abraço meu amigo,

Alan Kleber Rocha disse...

Ligian,

Porque Deus é fiel, temos a certeza de que ele concluirá a boa obra iniciada em nós. Isso inclui o nosso papel como pais e mestres.

Que Deus te abençoe!

Charles Melo disse...

Alan,

Parabéns pelo post. Tenho sido alimentado pelas suas mensagens sempre profundas e quase sempre desconcertantes pela realidade na qual elas tocam.

Abraço!
Pr. Charles

Alan Kleber Rocha disse...

Charles,

A recíproca é verdadeira ;-)

Um grande abraço irmão!

Samuel Vitalino disse...

Alan,

Mais uma vez você nos brinda com uma palavra tão edificante. Se nada tivesse sido lido ainda nesse blog, mas apenas esse post, ele já teria valido à pena existir.

Agora, de Salvador, mas ainda sem casa...

Samuel

Alan Kleber Rocha disse...

Fortunato,

As promessas de Deus são maravilhosas, dentre elas a longevidade àqueles que guardam o 5o Mandamento. O maior investimento dos pais cristãos deveria ser inculcar a Lei do Senhor na mente de seus filhos.

Grande abraço,

Alan Kleber Rocha disse...

Samuel,

Acho que umas das grandes vantagens de assinarmos juntos um blog é que somos edificados mutuamente. Posso dizer isso quando leio o que você, Milton, Charles, Ewerton, Robério, Alfredo e Eduardo escrevem.

Grande abraço,

Congregação Presbiteriana em Santo Aleixo disse...

Olá Rev. Parabéns pelo post, estou esperando minha primeira filha e estou sendo edificado com este post. Um grande abranço!
Rev. Anderson Mariano

Alan Kleber Rocha disse...

Grande Rev. Anderson,

Obrigado por passar por aqui. Que Deus abençoe sua família e ministério!
Saudoso abraço,