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9 de fevereiro de 2011

Amar a quem?

eu Em nossos dias a palavra “amor” tem perdido o seu sentido e isso ocorre porque a compreensão sobre ela é equivocada. Um poeta secular, ao falar sobre esse assunto, expressa sua compreensão dizendo que o amor não é imortal, posto que é chama, mas deve ser infinito enquanto durar. Juntemos a isso um agravante que é a compreensão também errônea sobre o alvo do amor. Muito temos ouvido falar sobre a necessidade do amor próprio e de como o homem deve cultivá-lo. Há inclusive uma música da década de 80 celebrando o amor-próprio. Na última estrofe e no refrão temos:

“Foi tão difícil pra eu me encontrar

É muito fácil um grande amor acabar, mas

Eu vou lutar por esse amor até o fim

Não vou mais deixar eu fugir de mim

Agora eu tenho uma razão pra viver

Agora eu posso até gostar de você

Completamente eu vou poder me entregar

É bem melhor você sabendo se amar

Eu me amo, eu me amo

Não posso mais viver sem mim”[1] (grifos meus)

A Escritura, porém, caminha na contramão de tudo isso. Vemos no Evangelho que, ao ser questionado por um intérprete da Lei sobre qual seria o grande mandamento, Jesus respondeu que o principal era amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento e que o segundo era amar ao próximo como a si mesmo. Disse mais ainda: “Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas” (Mt 22.40). Devemos notar que Jesus não fala em momento algum de amor próprio, ainda que muitos tentem enxergar no texto este “terceiro mandamento”.

O mais triste é que raciocínio dos cristãos que pensam assim é semelhante ao do autor da música citada acima: se alguém não se ama não conseguirá amar o próximo.

Esse “terceiro mandamento” não está no texto por uma simples razão: o homem, por natureza, já se ama demais e não precisa ser estimulado a se amar mais ainda. Jesus parte do princípio de que esse amor por si mesmo já existe. As palavras de Paulo corroboram esse pensamento. O apóstolo afirma: “Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida” (Ef 5.29).

Quando a Escritura menciona o amor próprio, trata-o como um problema: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas (amantes de si mesmos na versão Revista e Corrigida de Almeida)” (1Tm 3.1,2), afirma Paulo a Timóteo.

Devemos sempre agir de forma bíblica, e, para isso, precisamos entender o que a Palavra de Deus ensina sobre o amor e o que ela requer que façamos. Somos alvo do amor maior, o amor do Senhor demonstrado na cruz do Calvário, e, por isso, podemos e devemos amá-lo da forma correta, colocando-o em primeiro lugar em nossas vidas e também dispensando esse amor ao próximo.

Segundo Paulo, “o amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1Co 13.4-8). Esse amor deve ser sem hipocrisia (Rm 12.9), cordial, fraternal, preferindo o próximo em honra (Rm 12.10), edificante (1Co 8.1), demonstrado de fato e de verdade (1Jo 3.18).

Diante de tudo isso, devemos deixar de lado o que o mundo nos ensina sobre o amor egoísta (amor próprio) e viver o amor bíblico, por Deus e pelo próximo, para a glória daquele que nos amou primeiro.

Milton Jr.


[1] Música: Eu me amo; Banda: Ultraje a rigor. Para ler toda a letra clique aqui.

6 comentários:

Ligian disse...

Belo post!
E, se me permite arriscar um comentário, esse não é um dos maiores de todos os males da modernidade? Infelizmente esse tal de "amar a si mesmo" tá tão na moda hoje que vem sendo ensinado nos púlpitos. Uma lástima, já que não precisamos de estímulos para ser egoístas.
Bj nas meninas!

Milton Jr. disse...

Considere-as beijadas.. rs.
De fato é. A Escritura já afirmava que isso aconteceria nos últimos dias. O lamentável é ver sair dos púlpitos um incentivo a isso e não a uma visão bíblica sobre o assunto.
Jay Adams, em 87, lançou em inglês um livro que foi publicado aqui no Brasil pelo Nutra a uns 3 ou 4 anos: "Auto-estima, uma perspectiva bíblica". É uma excelente obra sobre o assunto.
Abração para vcs aí em BH.

Charles disse...

Já disse uma vez (quando eu era aprendiz da teologia Reformada) e já ouvi outras pessoas dizerem: "é necessário amar a si mesmo para depois amar ao próximo!" O Antony Hoekema disse acertadamente que esse negócio de auto estima é um conceito egoísta já na nomenclatura. Outra coisa: lembrei da música do Blitz: "Eu me amo, eu me adoro, eu não consigo viver sem mim"... Parabéns pelo post!

Abraço!

Milton Jr. disse...

Obrigado Charles.
O Hoekema diz isso no livro "o cristão toma conhecimento do seu valor"? Segundo Jay Adams o Hoekema gosta dessa ideia de auto estima. Ele faz algumas criticas ao Hoekema no livro "auto-estima", uma perspectiva bíblica.
Vou dar uma olhada melhor, mas sei que ele é integracionista.. então..

Samuel disse...

Milton,

Eu te amo!

Hugo Junior disse...

e sobre o poeta citado acima melhor ler outra coisa dele

"Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta..." rs

belo post

abraço

Hugo Junior