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30 de agosto de 2010

Os Perigos da Secularização no Cristianismo


A palavra “secularização” vem do latim saeculus (século), e contrasta o agora com a era vindoura. A secularização, portanto, é a filosofia de vida que prioriza o agora em detrimento do que é eterno. A secularização é o movimento crescente de anulação do que é sagrado, destinado à glória de Deus, substituindo pelo secular o que é mais interessante agora.

A secularização é um processo de mundanização, transformando aquilo que é urgente, a busca a Deus, em coisa sem importância. Importante agora é curtir a vida e se divertir. A secularização nos faz contentar com as alternativas da era presente, sem nos importar com as promessas de satisfação e gozo futuros. A secularização tem atingido o cristianismo atual, conforme a descrição que se segue.

1. A Bíblia

A Bíblia, mediante a secularização, se torna um livro irrelevante, não lido, não praticado e alvo de descrédito. A secularização faz com que a Bíblia receba a mesma classificação de um outro livro qualquer, limitando a noção de sua inspiração divina, ou até mesmo suprimindo-a. Na secularização, a Bíblia recebe críticas desconstrucionistas, as quais buscam minimizar a força dos relatos das obras de Deus, pondo os milagres em descrédito. A era presente ganha força como referencial para interpretação dos relatos bíblicos. Por exemplo, se hoje não vemos pessoas andando por sobre as águas, então a narrativa de Jesus andando por sobre as águas é apenas uma estória mitológica, uma lenda imaginária. No processo de secularização, as pessoas preferem dar crédito a pressuposições naturalistas (evolucionismo) a crer na veracidade dos relatos bíblicos sobre a criação do mundo.

2. Ética

A ética secularista também não refletirá o padrão revelado na Escritura Sagrada. Se a Bíblia não é referencial seguro dentro do sistema secularizado, também os mandamentos bíblicos ficam completamente sem relevância. Mandamentos bíblicos que claramente tratam do mundanismo, da busca pela satisfação carnal, através de festas mundanas, do sexo livre, do consumismo, da literatura pornográfica, de programas de televisão e de filmes que não trazem edificação, através de sites da Internet impróprios, se tornam sem importância e desprezados. A ética secularista ensina a fazer o que dá vontade. Se você deseja, então é legítimo. A Bíblia não ensina assim. A Bíblia diz que “todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convém” (1Co 6.12). Também diz que a amizade do mundo é inimizade contra Deus (Tg 4.4), e que quem ama ao mundo não provou do amor do Pai Celeste (1Jo 2.15). Jesus disse: “aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (Jo 14.21).

3. Comportamento

Se a secularização se recusa a ouvir os mandamentos de Deus e os julga irrelevantes, logo, o comportamento das pessoas secularizadas refletirá um padrão que não provém da Bíblia. Um indivíduo secularizado não se importa de falar palavrões e de contar piadas indecentes. Uma pessoa secularizada não se importa em usar roupas com decotes escandalosos, exibindo partes do corpo que incitam a sensualidade. Também a secularização semeia a descrença, fazendo com que as pessoas vivam como se Deus nem existisse, como se ele não estivesse ao nosso lado contemplando os maus e os bons. Por esta razão, o juízo de Deus é completamente ignorado e o temor de Deus inexistente. O secularizado dá golpes no mercado, faz negócios ilícitos, sonega impostos, deixa de devolver o dízimo porque o empregou em coisas do aqui e do agora, para satisfazer o desejo de ter. O homem secularizado olha de modo inconveniente para a mulher do seu próximo, a mulher secularizada se deixa levar pelo devaneio de um coração carregado de paixões mundanas. A secularização faz com que uma pessoa troque sem vexames o santo culto a Deus pelo estádio de futebol ou outro entretenimento qualquer, em clara violação do quarto mandamento, de guardar o dia do Senhor. Não somente isso, mas até mesmo trabalhos semanais da igreja deixam de ser motivo do interesse do secularista em troca de outros cuja relevância é duvidosa e até mesmo reprovável. Em resumo, trocar um trabalho da igreja por momentos de diversão sejam lá quais forem, é fazer uma opção clara por coisas do aqui e do agora em detrimento daquelas que são relevantes aos olhos de Deus.

4. Adoração

A adoração no ambiente secularizado se torna pretexto para entretenimento e promoção pessoal. A secularização admite coisas no culto que a Bíblia não recomenda e muitas vezes até condena claramente. Um culto secularizado admite a dança sensual, a performance artística, as palmas para Jesus, a falta de ordem e decência, a irreverência, as mensagens que não brotam de interpretação fiel das Escrituras, o som ensurdecedor, músicas com letras em desacordo com o ensino da Palavra de Deus, o ecumenismo e o sensacionalismo mediante promoção de fenômenos espetaculares.

5. Evangelização

A secularização elimina por completo qualquer envolvimento com a evangelização, visto que as pessoas secularizadas só pensam no agora e não em ser instrumentos de Deus para a salvação dos perdidos. A secularização faz com que as pessoas não tenham tempo para evangelização. Elas só pensam nelas. Não se preocupam em compartilhar a mensagem do evangelho, porque, afinal, “para quê falar de vida eterna se o que me importa é o agora?” Um dia no shopping se torna muito mais atraente do que uma tarde na rua evangelizando as pessoas ou distribuindo folhetos. As programações de socialização acabam ganhando preferência em relação a eventos evangelísticos. Os secularistas nunca contribuem com missões, mas sempre investem muito dinheiro em coisas supérfluas e sem urgência (carro, casa, jóias, roupas, etc.). Conseqüentemente, as igrejas secularizadas mínguam a cada ano e acabam fechando as portas, se não passarem o resto da história engatinhando espiritualmente.

6. Comunhão

A secularização, por fim, sepulta a comunhão da igreja no cemitério da indiferença e da insensibilidade. As pessoas secularizadas não ligam mais umas para as outras. Aliás, demonstram alguma preocupação na hora de falar mal. Então elas não se preocupam umas com as outras no bom sentido da expressão, mas se ocupam em maldizer e a tecer comentários maldosos. A comunhão morre dentro da secularização porque as pessoas perdem a visão do significado da igreja como corpo de Cristo. Se esquecem que possuem a vida eterna em comum, como o sangue que irriga todo o corpo. O sacrifício de Jesus une as partes individuais tornando-as uma só alma, indivisível. Mas o secularista insiste em semear divisão e facção dentro da igreja, porque não se lembra mais que a herança celestial e a eternidade serão dados ao povo de Deus, que será um só rebanho de um só pastor.

Conclusão

Talvez você esteja lendo isto preocupado por ter se enquadrado nas descrições daqueles que são afetados pela secularização. Isto não deve desanimá-lo. Lembre-se que todos nós estamos inseridos numa sociedade altamente secularizada. É normal que a secularização nos atinja de alguma forma. Agora, o que não pode acontecer é uma acomodação ao sistema. “Não vos conformeis com este século”, disse Paulo em Romanos 12.2. Não devemos tomar a forma do mundo, vivendo só para o agora, deixando de lado a visão da eternidade, que é o que realmente importa. Temos é que renovar a nossa mente com as coisas de Deus, manifestadas na sua Palavra. Temos que revigorar nossa fé a cada dia com o alimento da esperança: a Bíblia. Não podemos abrir espaço para que nossa visão contemple somente as coisas ilusórias do presente século. Do contrário, seremos como Demas, o qual, “tendo amado o presente século” (2Tm 4.10), abandonou a Cristo, e a Paulo, e foi cuidar dos seus próprios interesses na cidade de Tessalônica.

Querido leitor, esta é a razão porque muitos têm abandonado a igreja hoje e corrido atrás de satisfação nas coisas do mundo: não conseguem mais crer e olhar para a eternidade que nos aguarda. Só têm diante de si a ilusão do presente. Esqueceram-se de que fomos criados neste mundo para glorificar a Deus e gozá-lo para sempre. Em contrapartida, tentam em vão satisfazer sua alma com as coisas do aqui e do agora. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos dê visão nítida e constante da eternidade. Que ele nos livre dos perigos da secularização, a fim de que não sejamos como o cavalo ou a mula, sem entendimento, mas que tenhamos nossa mente constantemente esclarecida pela palavra do Senhor, a qual vive e é permanente. Amém.

Pr. Charles

21 comentários:

Alan Kleber Rocha disse...

Grande Charles,

Parabéns pelo post!

Oremos por um verdadeiro despertamento espiritual em nossas igrejas. Infelizmente, a secularização têm afetado muito o povo de Deus, e isso não é bom.

Que Deus o abençõe!

Ligian disse...

A secularização e a incredulidade estão andando juntinhas e isso é o que mais me entristece... Que saibamos resistir e lutar contra esse mal!

Charles Melo disse...

Caro Alan,

Obrigado! Só mesmo um avivamento genuíno para evitar que a igreja sucumba diante desse desafio. Como é difícil crer no céu, no inferno e levar em consideração a eternidade hoje em dia! A Ligian disse certa vez que vida aqui é curta demais para ser priorizada e a eternidade longa demais para ser desprezada.

Abraço!

Alfredo de Souza disse...

Grande Charles.

Muito pertinente o artigo.

Parabéns.

Gama Jr disse...

Pr Charles,

Muito interessante e agregador esta mensagem !

GamaJr

Ewerton B. Tokashiki disse...

Caro Rev Charles

Mais artilharia de calibre grosso contra a secularização. O teu post veio somar.

Abs, Ewerton

Samuel disse...

Shampoo,

Creio que foi um excelente resumo da nossa luta contra a secularização da Igreja.

Nosso chamado, ao contrário, é para lutar pela fé que de uma vez por todas foi entregue aos santos (Jd.3).

Abraço,

Charles Melo disse...

Alfredo,

Dado o avanço da secularização, penso que tudo o que pudermos escrever sobre esse tema será pertinente e insuficiente ao mesmo tempo.

Abraço!

Charles Melo disse...

Ewerton,

A secularização sempre foi tema relevante na igreja, pois a incredulidade sempre bateu nas portas da igreja tentando estabelecer morada. Mas perece que em nossos tempos a coisa está pior, não?

Abraço!

Charles Melo disse...

Geléia,

Ainda há muito o que pensar sobre os efeitos da secularização na igreja. por exemplo, na área da música, da pregação, do ensino, etc... Fica a sugestão para os próximos artigos do blog.

Abraço!

Charles Melo disse...

Caro Gama Jr.

Obrigado pelo apoio e encorajamento! Vamos em frente, unidos contra a secularização da igreja.

Abraço!

Milton Jr. disse...

Charles,
O seu texto demonstra de forma bem clara o que temos presenciado nos arraiais evangélicos. Tudo começa com o "deixar de lado a Palavra".
Que o Senhor nos mantenha firmes e fiéis.
grande abraço.

Charles Melo disse...

Falou e disse, Milton. Deixar a Palavra é abrir a guarda para a incredulidade. E a incredulidade é a raiz da secularização.

Abraço!

Danilo Fernandes disse...

Graça e Paz!

Vim conhecer seu espaço digital.
Parabens pelo Post! Voi levá-lo para o Genizah.

Aproveitando, caso não conheça:

Genizah é um blog cristão diferente. Hilário e divertido, mas que não dispensa a seriedade na defesa do Evangelho. Uma mistura bem balanceada de humor, denuncia e artigos devocionais. No Genizah, você fica sabendo da última novidade do absurdário "gospel", mas também não falta material para inspiração e ótimas mensagens dos melhores pregadores. Genizah é um blog não denominacional apologético, com um time é formado por escritores, pastores, humoristas e chargistas cristãos.

Aguardo sua visita. Vamos nos seguir!

Abraços em Cristo e Paz!

Danilo Fernandes

http://www.genizahvirtual.com/

eduardo ferraz disse...

Caro Charles
Saudações

Seu post nos desperta a refletirmos com muita clareza o mundo que vivemos. E se não tomarmos cuidado seremos sutilmente absorvidos por ele. Você desperta à pensarmos que sem a Sã Doutrina todos padecerão! Essa é a pura verdade.
Parabéns!
Grande abraço.
Fraternalmente em Cristo,

Eduardo Ferraz

Anônimo disse...

Irmãos, sou de Jesús e sou secular, não vivo da religião, não lucro com o evangelio, nou sou ordenado segundo alguma teologia, só a biblia principalmente o novo testamento com sinceridade. Agora bem, não concordo com que os não ordenados não vivem para o evangelio, eu vivo, outros irmãos que conhesso tambem vivem, do mesmo jeito que os primeiros irmãos até o imperator Constantino, que criou vocês, os ordenados.
Esqueça toda teologia, volte ao Evangelio que é simples e claro.
Jesus te abençoei!!!!

Charles Melo disse...

Danilo,

Obrigado pela indicação. Vou dar uma conferida no seu blog. Há um artigo bem-humorado no meu blog pessoal www.arteejubilo.blogspot.com com o título "desisto de buscar uma identidade". Vale a pensa conferir.

Abraço!

Charles Melo disse...

Eduardo,

O que me preocupa é a falta de visão da importância da sã doutrina hoje. As pessoas fazem opção pela superficialidade de forma deliberada, como o Alfredo denunciou. Onde isso vai parar? Espero que não seja na barra do tribunal do Santíssimo Juiz, mas nos joelhos perelhos no chão em quebrantamento e arrependimento sincero.
Abraço!

Charles Melo disse...

Caro Anônimo não ordenado,

Em primeiro lugar, lamento seu anonimato. Isso transforma sua voz num sonido meramente semântico, com prejuízo no que tange ao cunho pastoral exortativo. Uma palavra de um anônimo não merece tanto crédito, de acordo com o entendimento geral popular.
Ninguém disse nesse blog, em algum momento, que os leigos (não-ordenados) não vivem para o evangelho, de forma que sua observação fica vazia e sem sentido aqui, uma vez que não diz respeito ao conteúdo expresso no blog e você nem sequer sinalizou a quem se referia. Sua menção ao Imperador Constantino revela falta de conhecimento bíblico e histórico acerca da natureza da igreja. A ordenação ao sagrado ministério foi instituída pelo Senhor Jesus ao vocacionar os apóstolos, de modo semelhante ao que ocorria em relação ao ofício de profeta no Antigo Testamento. Paulo disse a Timóteo que ele não deveria ser negligente para com o dom que havia nele, outorgado mediante imposição de mãos do Presbitério (1Tm 4.16). Isso é uma clara referência à ordenação no NT. Se você se pauta principalmente no NT, deveria saber disso. Aliás, não deveria desmerecer o Antigo Testamento, pois ele é patente no Novo.
Sobre sua recomendação de esquecermos a teologia, você se trai com suas próprias palavras. Todos temos alguma "teologia". O fato de você dizer para esquecermos nossa teologia revela a sua própria teologia. Na sua teologia, não se deve ter uma teologia. Isso é absurdo, porque a teologia é o estudo e compreensão a respeito da revelação bíblica. Até você possui uma perspectiva da Bíblia, portanto, até você possui uma teologia. A boa teologia é o resultado de uma pesquisa sincera e precisa na revelação bíblica. Essa é a sã doutrina, o ensino de Cristo na sua Palavra. Paulo disse que Timóteo também deveria pregar a sã doutrina. A Igreja primitiva perseverava na doutrina dos apóstolos, ou seja, na teologia proposta por eles. Você não propôs volta ao evangelho simples; propôs a adoção de uma visão simplista da Bíblia. Com todo o respeito, isso é ruim.

Abraço!

Arildo André disse...

É um texto muito edificante. Valeu a pena ler. Um forte abraço ao Pr. Charles.

Anônimo disse...

Foi muito bom ler este artigo sobre a secularização muito obrigado, ele despertou muito minha vida precisamos de homens que tenham coragem para falar com toda está determinação das verdades de Deus.