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9 de agosto de 2010

Política: E a Bíblia com isso?

clip_image002[12]Declaração de um “político evangélico” – “Se um dia vamos dominar literalmente na terra, por que hoje não podemos começar com um antigosto?” Declaração de um “pastor” político.

Declaração de um pastor evangélico“Viver o cristianismo é a mais efetiva militância para a transformação social que Deus quer promover” .

As pessoas não sobreviverão, e muito menos prosperarão, sem que haja organização em suas vidas comunitárias. Esta organização em sua vida comunitária é a polis, um agrupamento de pessoas caraterizadas pelo senso de comunidade; e de polis derivou-se a palavra política. Assim, a política, em seu sentido mais amplo, sublinha e permeia a sociedade.

“Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos e, a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo dos bons e castigo dos malfeitores.” Cap. XXIII – Do Magistrado Civil. Confissão de Fé de Westminster. Do ponto de partida da compreensão cristã, há um único Deus, criador dos fins da terra, o presente Governante das nações e o Senhor ativo da história. O Deus que exige justiça e retidão dos homens em seus contatos uns com os outros na ordem social em geral – atividades econômicas, autoridade dos soberanos, justiça nos tribunais e na relação das nações umas com as outras.

Não há base bíblica para ações políticas institucionais promovidas pela igreja. A decisão sempre será do indivíduo participante da comunidade, como parte do seu serviço responsável ao Senhor. Daí é muito importante ter consciência cristã, para “escolher” nossas autoridades. Neste ano escolheremos o presidente da nação, os governadores dos estados, os senadores da República e os deputados estaduais e federais. Estas autoridades compõem a base do governo do nosso país. Além da responsabilidade de “escolha” das autoridades, devemos ser obedientes a elas, pois foram e serão instituídas por Deus (Rm 13.1); devemos sempre estar prontos para toda boa obra, e não devemos difamar ou polemizar (Tt 3.1-2), devemos orar e interceder pelas autoridades existentes e pelas que vão exercer seus cargos (1Tm 2.1-2).

Os crentes têm a liberdade de votar em quem quiser, esse é o princípio democrático que rege a nação brasileira. Os crentes não devem votar em quem tem propostas que são contra a Palavra de Deus, contra os princípios bíblicos. Percebe-se que não nos resta muita opção! Quanto a políticos evangélicos, creio não haver nenhum impedimento bíblico para eles, desde que façam política e leis pautadas nos princípios da ética cristã e do bem social, não só para defender os interesses pessoais da igreja.

Termino este artigo transcrevendo o seguinte pensamento:

“As leis de um estado devem fundamentar-se primariamente nos padrões morais aceitos pela maioria dos cidadãos, mas o amor cristão às leis de Deus revelado, mesmo que por uma minoria, serve como fermento que influência a comunidade toda. Assim, a presença da Igreja deve ser ativa positiva e responsável” (Eugene Clarence Gardner).

Síntese do Decálogo Evangélico do Voto Ético (Associação Evangélica Brasileira – AEVB).

1. O voto é intransferível e inegociável.

2. O cristão não deve violar a sua consciência política.

3. Líderes devem orientar sobre como votar com ética e discernimento.

4. Líderes devem ser lúcidos e democráticos.

5. Líderes não devem conduzir processos político-partidários dentro da igreja.

6. O fato de um candidato se apresentar como cristão não deve constranger ao voto.

7. Candidatos com postura ética contraditória não devem ser escolhidos.

8. O cristão deve considerar as propostas apresentadas pelos candidatos.

9. Dar mais valor ao candidato como indivíduo cristão do que ao seu partido.

10. Em questões políticas o líder da igreja local opina como um cidadão qualquer.

Eduardo H. Ferraz

 

20 comentários:

Samuel disse...

Eduardo,

Bom para pensarmos nesse tempo de política.

Me responde uma coisa: tenho sido perguntado por algumas ovelhas se há problema em votar nulo.

Particarmente eu não vejo problema, pois trata-se de uma opção válida de voto e de deixar um recado para a própria classe política, que precisa ser redimida.

Qual é o teu pensamento sobre isso>

Ligian disse...

Passei pra deixar meu comentário e vi a pergunta do Rev. Sanuel... tb me questiono em relação a isso. Confesso que ultimamente tenho pensado, sim, em anular alguns dos meus votos. Perdi a fé no sistema político brasileiro e não consegui encontrar alguns nomes para alguns desses cargos.
Em relação aos evangélicos candidatos, o único medo que tenho é que, como muitos que têm estado em evidência na mídia, esses também não venham a se corromper...
Muito pertinente o post!
Um abraço para a Karen e para os meninos, estou com saudades!

Dorisvan Cunha disse...

O assunto política deve ser alvo de debate urgente entre os evangélicos,especialmente os de tradição reformada. Creio que esse artigo é importantíssimo. A igreja clama por respostas. Alguns, estao ainda sufocados pela perspectiva medieval da dicotomia entre o "sagrado" e o "secular" e não admitem o crente como “ser político”, pois, segundo eles, política é coisa do diabo. Outros entendem que devem participar, mas o nome de Deus passa a ser blasfemado entre os ímpios por causa deles. Como o Pr. Eduardo Ferraz bem colocou, os reformados entenderam que Deus é o senhor de toda a vida e, portanto, todas as áreas da atividade humana são importantes para o cristão, inclusive a esfera política. E agora, como viveremos numa nação afogada no abismo de corrupção que define nossa política brasileira? Não votar ou votar em políticos desonestos?

eduardo ferraz disse...

Caro Samuel.
Saudações

Não vejo problemas votar em branco.
Até mesmo porque disse em meu artigo, que devemos votar com consciência cristã e naqueles que não ferem esses princípios. Se na sua visão, não vê ninguém que com estas propostas?!? O voto em branco é lícito.
Grande abraço.
Eduardo

eduardo ferraz disse...

Cara Ligian
Saudações

Confesso a ti, que estou com a mesma dificuldade. A política em nosso país deixou de ser uma meio para o bem social, e passou a ser um meio de bem pessoal.
Muitos políticos com ideal acabam sendo corrompidos, ou cumprindo apenas um mandato!
Grande abraço em ti e nos Charles.
Beijão nas crianças.

Eduardo Ferraz

eduardo ferraz disse...

Caro Dorisvan
Saudações

Devemos orar por "Daniéis e Josés", homens que influenciaram profundamente os governos ímpios de seu tempo.
Tempo das mesmas dificuldades que enfrentamos hoje.
Oremos por Josés e Daniéis.
Não descartemos a providência, de ser um dos nosso filhos!

grande abraço.
Eduardo Ferraz

Alan Kleber Rocha disse...

Caro Eduardo,

Muito importante o seu post. Parabéns!

A política é uma área em que nós cristãos precisamos refletir e discutir bastante.

Por exemplo, Não podemos tomar a possível legalidade de um voto nulo para nos trancarmos em guetos e deixarmos de nos manifestar e nos envolver com assuntos políticos. Muitos cristãos certamente são vocacionados para funções políticas e precisam ser bem doutrinados para testemunhar o evangelho em um meio extremamente difícil.

Forte abraço,

Alan

Anônimo disse...

Ótimo post, muito apropriado para o momento. Queria saber se você poderia dar sua opinião sobre a candidata à presidência Marina Silva, evangélica da Assembléia de Deus e que não aparenta ser apenas mais uma pessoa que diz-se "evangélica" para buscar mais votos.

Miss. Itamar Maciel de Sousa disse...

Caro irmão Eduardo, ao ler seu post fiquei pensando sobre minhas preocupações com a Congregação que pastoreio, tenho tentado instigar os princípios aqui colocados em meio a um povo que estar acostumado a negociar seu voto, mesmo sendo cristãos, em 12 anos de ministério nunca me deparei com tanta corrupção política como me deparei no interior do Piauí, as vezes quando estou ensinando sinto uma certa resistência, acredito que ela exista porque os olhos não estão posto em Deus e na aliança que Ele fez conosco, esquecemos que somos o povo da aliança, embaixadores do reino de Deus. Obrigado irmão pelo seu post, vou ler-lo neste domingo na EBD.

eduardo ferraz disse...

Caro Alan
Saudações

Concordo com você, não podemos pensar política olhando para nós, devemos ter a conciência de polis, sem perder a consicência e ética cristã. Para isso tem que ser preparodo, daí falei em outro comentário sobre os Daniéis e Josés, não descarto também as Ester e Esterzinha! Já pensou nisto?
Grande abraço.
Eduardo

eduardo ferraz disse...

Amigo Anonimo
Saudações

Marina Silva, até onde sabemos, tem apresentado uma postura ética positiva, pois saiu do PT, quando dos escandalos. Apesar de não ter muita chance, é uma opção que "comunga" com a consciência cristã.
Fraternalmente em Cristo,
Eduardo Ferraz

eduardo ferraz disse...

Caro Miss Itamar
Saudações

Realmente existem realidades que levaram o povo, até o povo de Deus, devido à falta de conhecimento Bíblico reformado, e a situação sócio economica desfavorável, a ter uma prática de cidadania mundana.
Sei que o amado irmão continuará tendo a piedade e sabedoria do Senhor, para, pela Palavra de Deus, educar e levar o povo a honrar o Soberano, Supremo, Senhor Governante da terra e céu. Sinto-me honrado pela leitura de meu artigo na sua preciosa igreja.

Fraternalmente em Cristo,
Eduardo Ferraz

eduardo ferraz disse...

Caro Miss Itamar
Saudações

Realmente existem realidades que levaram o povo, até o povo de Deus, devido à falta de conhecimento Bíblico reformado, e a situação sócio economica desfavorável, a ter uma prática de cidadania mundana.
Sei que o amado irmão continuará tendo a piedade e sabedoria do Senhor, para, pela Palavra de Deus, educar e levar o povo a honrar o Soberano, Supremo, Senhor Governante da terra e céu. Sinto-me honrado pela leitura de meu artigo na sua preciosa igreja.

Fraternalmente em Cristo,
Eduardo Ferraz

Charles Melo disse...

Eduardo,
Só agora li seu post e gostei muito. Nunca devemos nos esquecer do fato de que Deus usa nosso patriotismo para o bem da própria pátria. por isso o cristão não pode se abster de assuntos relativos à política. Eu recebi depois seu artigo enviado por uma ovelha minha que o encaminhou a uma lista enorme de pessoas que, certamente foram edificadas assim como eu o fui.
Abraço!

LINALVA FERNANDES disse...

PAZ AMADOS QUE BOM VER QUE A PESSOAS COM INTERESSE NESTE ASSUNTO POLITICA INFELISMENTE TABU PARA ALGUNS IRMÃOS FICAREI SEMPRE QUE POSSÍVEL EM CONTATO PARA EDIFICAR A MIM E TRANSMITIR À OUTROS CARENTES DE INFORMAÇÕES QUE DEUS OS ABENCOE

Mr. X disse...

Bom dia Samuel,
Essa semana estava falando a minha sala de EBD sobre esse respectivo tema o qual na proxima semana iremos conclui-lo, por isso foi muito bom ler um pouco mais sobre um assunto que está esquecido e está sendo deixado de lado na igreja. Gostaria de fazer alguns comentários, e peço que me corrija caso esteja errado.

Concordo com o que foi citado por Dorisvan. Nos ainda temos um pensamento de enraizado de querer separar o profano do secular e esquecemos que a política faz parte de nossa vida pois vivemos em comunidade e participamos dela.

Noto que devido a corrupção existente na política os cristãos reformados se afastaram dela. Só que isso está errado. Devemos ser sal no mundo. Devemos fazer a diferença e não nos excluirmos em nossos guetos como foi citado anteriormente. Isso não falo somente com relação ao voto, falo também com relação a participar ativamente na política, sendo vereador, deputado, prefeito ou qualquer outro cargo executivo. Mas nos estamos com tanto medo de "nos contaminar" que esquecemos que essa é uma area de nossas vidas que devemos trabalhar.

Nos meus poucos anos de vida já participei ativamente de 2 igrejas e já visitei tantas outras e em nenhuma delas eu encontrei um vereador, um prefeito, um deputado ou alguem que participa ativamente da política que possua uma vida de piedade.

Ao mesmo tempo sinto uma insatisfação tremenda com aqueles que se dizem "políticos evangélicos". Primeiro pelo fato de que eles estam sendo iguais a tantos outros políticos que ocupam cargos governamentais. Corrupção e mentiras permeiam suas carreiras políticas. E segundo porque fazer do "titulo de evangélicos" seu marketing pessoal de forma a obter votos do povo evangélico.

Aqui vou expressar uma opnião minha:

"Porque fazer sua propaganda eleitoral baseada no fato de que você é evangélico senão com o objetivo de ganhar voto? Acredito que se houver um politico reformado honesto algum dia ele não fara disso seu cabo eleitoral. Ele simplesmente mostrará isso com sua vida. Assim como nos fazemos no dia-a-dia nos reconhecemos uma arvore pelos seus frutos.

Imagine você escrevendo seu curriculum vitae para uma grande mutinacional. Você está lá escrevendo seu curriculum e na área onde deve ser preenchido com profissão você coloca Engenheiro Evangélico ou então Administrador Evangélico. Isso seria até motivo de comédia para o seu examinador."

Bem, não sei se consegui me expressar da forma correta. Caso eu esteja errado, sinta-se a vontade para me corrigir.

Espero que Deus levante homens assim como josafá na política para que possamos ter a alegria de pode votar novamente.

Lucas Salgado disse...

Continuando...

Nos meus poucos anos de vida já participei ativamente de 2 igrejas e já visitei tantas outras e em nenhuma delas eu encontrei um vereador, um prefeito, um deputado ou alguem que participa ativamente da política que possua uma vida de piedade.

Ao mesmo tempo sinto uma insatisfação tremenda com aqueles que se dizem "políticos evangélicos". Primeiro pelo fato de que eles estam sendo iguais a tantos outros políticos que ocupam cargos governamentais. Corrupção e mentiras permeiam suas carreiras políticas. E segundo porque fazer do "titulo de evangélicos" seu marketing pessoal de forma a obter votos do povo evangélico.

Aqui vou expressar uma opnião minha:

"Porque fazer sua propaganda eleitoral baseada no fato de que você é evangélico senão com o objetivo de ganhar voto? Acredito que se houver um politico reformado honesto algum dia ele não fara disso seu cabo eleitoral. Ele simplesmente mostrará isso com sua vida. Assim como nos fazemos no dia-a-dia nos reconhecemos uma arvore pelos seus frutos.

Imagine você escrevendo seu curriculum vitae para uma grande mutinacional. Você está lá escrevendo seu curriculum e na área onde deve ser preenchido com profissão você coloca Engenheiro Evangélico ou então Administrador Evangélico. Isso seria até motivo de comédia para o seu examinador."

Bem, não sei se consegui me expressar da forma correta. Caso eu esteja errado, sinta-se a vontade para me corrigir.

Espero que Deus levante homens assim como josafá na política para que possamos ter a alegria de pode votar novamente.

Samuel disse...

Lucas,

Vou pedir ao próprio Eduardo, autor do post para te responder, mas creio que você está certo no que tange ao fato de políticos evangélicos não deverem fazer disso o seu palanque.

Lucas Salgado disse...

Ta certo Samuel.

Me desculpe por ter me confundido. Eu pensei que tinha sido vc que tinha escrevido o post. Estarei aguardando a resposta de Eduardo.

Aconteceu outro erro tb. Estava modificando meu perfil para que os posts saissem com meu nome e acabei mandando por engano duas vez a mesma mensagem com dois nomes diferentes. Esse Mr. X sou eu, hahah. Mas acho q deu pra perceber.

Obrigado!

eduardo ferraz disse...

Caro Lucas Salgado
Saudações

Suas colocações são pertinentes.
Nós devemos salgar e ser luz em todos os meios lícitos da vida social da polis.
Como respondi nas colocações anteriores, "se devemos ou não participar ativamente da política", "o erro dos guetos apolíticos" e etc.
Creio que devemos participar ativamente de todos os setores da sociedade, tanto de maneiro formar e informal. Na política mais do que em outros setores, precisamos de homens consagradas, assim como foram José, Daniel, Josafá, João Calvin (influênciou tremendamente seu meio social e político); homens que além de consagrados e preparados, não vão se corromper e nem fazer uso de plataforma evangélica, apesar que para seu início, creio ser necessário fazer uso desta força.
A questão da ação política de um evangélico, é que ele defenda os interesses lícitos da Polis, não os interesses do chamado povo Evangélicos. É claro que dentro de sua atuação, deverá defender os princípios cristãos, que como cremos, são benéficos para todo o povo.
Creio que temos muitos servos valorosos e capacitados para serem bons políticos.
Vamos orar e trabalhar para que a igreja tenha consciência de sua responsabilidade, e da tremenda oportunidade para glorificar o nosso Deus, também por meio da Política.
Um grande abraço.
Pr. Eduardo Ferraz