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28 de outubro de 2010

Uma Palavra aos Pais Estressados


Há um ditado popular que diz que “ser pai não é para qualquer um e muito menos para covardes.” De fato, essa é uma tarefa prazerosa, porém muito estressante. No caso de verdadeiros cristãos, a razão de toda preocupação é motivada no fato de que a própria alma dos filhos está envolvida nessa questão. Pais tementes a Deus estão tão preocupados com a glória de Deus, que a mais terrível angústia é ver seus próprios filhos agindo e vivendo como ímpios que não temem ao Senhor. Oh! Quantas lágrimas têm sido derramadas por servos de Deus ao perceberem que seus filhos não exibem as marcas de uma conversão genuína.

Tenho ouvido o relato choroso de muitos pais que consagraram seus filhos ao Senhor, mas agora percebem o quão distante eles estão do caminho da salvação e rumam a passos largos para o inferno. Filhos que tiveram em seus joelhos e braços, agora são uma presa nas mãos de Satanás! Pais que viram a água do batismo escorrer sobre a cabeça dos filhos, agora percebem que suas mentes estão cheias de filosofias e valores mundanos!
Nessa difícil tarefa de criar filhos é imprescindível recorrer às claras instruções delineadas nas Sagradas Escrituras, pois elas de fato podem nos dar orientações muito claras sobre como devemos agir. Assim, o resumo que segue é uma simples enumeração de alguns princípios que ajudarão os pais estressados a não desanimarem ao contemplarem a vida ímpia que seus filhos têm vivido:
Primeiro, lembre-se que a sabedoria no coração dos filhos é uma obra exclusiva de Deus e ocorre como resultado da salvação implantada em seus corações. Quando Deus salva alguém, não apenas o regenera, mas implanta temor em seu coração. De acordo com Provérbios 1:7 e 10:1, apenas o temor do Senhor pode produzir sabedoria nos corações dos nossos filhos. Essa sabedoria não tem nada haver com acúmulo de conhecimentos, mas com a firmeza de propósito em aplicar os mandamentos de Deus em cada circunstância da vida. Sabedoria, portanto, tem haver com obediência a Deus, mas só Deus pode plantar essa obediência através da conversão (Tt. 3:4-5) e fazê-la germinar através de Sua palavra (1 Pe. 1:23). Filhos que demonstram rebeldia a Deus, e, concomitantemente, aos pais, exibem um sinal claro de que, possivelmente, não foram regenerados, e sua desobediência, rebelião e ingratidão são sinais de que nunca nasceram de novo, apesar de freqüentarem a igreja.
Segundo, reconheça suas limitações em interferir em questões espirituais concernentes a salvação do seu filho. Como pai, você pode interferir em muitas áreas na vida de seu filho, menos na salvação de sua alma. Talvez você faça parte de uma longa lista de pais aflitos que sofreram ao ver o egoísmo estampado nas ações do filho ou filhos. Como Adão, Isaque e Jacó, você pode estar presenciado a desunião dos filhos! Como Arão, é possível que veja a mão de Deus pesar sobre eles! Como Samuel, Davi e muitos outros reis piedosos de Israel, talvez esteja enfrentando angústias ao perceber que seus filhos não andam e nem seguem os seus caminhos e exemplos! Ao sentir o peso de tamanha tristeza, não desanime. Nessas horas busque ao único que sabe lidar com a aflição – Deus. Reconheça que na questão espiritual apenas Ele pode fazer algo. Apenas o Seu poder pode mudar seu filho ou filhos, portanto busque-O humildemente em oração. Nunca esqueça que todos os seus esforços e dinheiro gasto com as melhores escolas não serão suficientes para produzir um centímetro de vida espiritual na vida dos seus queridos filhos! Se o seu coração está apertado, ore sem cessar e aprenda a depender de Deus sem jamais desanimar (Lc. 11:13). Peça também a pessoas discretas a batalharem com você em oração e recorra a Deus através de Cristo. Lembre-se do exemplo de muitos outros que apresentaram seus filhos ao Senhor Jesus e receberam uma resposta positiva (Mc. 9:17; Mt. 15:22).
Terceiro, humilhe-se na presença do Senhor e avalie sua vida. Os filhos geralmente imitam os pecados dos pais e percebem a inconsistência entre o que eles falam e dizem. Eles drenam o veneno do seu pecado e seguem seu péssimo exemplo. Lembre-se que você é um pecador e pode estar envenenando a vida do seu filho com sua própria falta de temor verdadeiro ao Senhor. Há dois tipos de pecados que podem arruinar seu papel como pai e líder espiritual. Primeiro, seus próprios pecados em relação aos seus pais (Gn. 42:1). Isso nos lembra a história de um pai que exclamou para o filho: “Nunca um homem teve um filho tão ruim e ingrato!” Porém o filho respondeu: “Sim, meus avós tiveram!” Ou seja, antes de avaliar seu filho, avalie-se primeiro como filho e confesse ao Senhor suas possíveis falhas. Trate com amor seus pais e isso será um poderoso exemplo para seu filho! Segundo, examine os seus próprios pecados que foram praticados contra seus filhos. É muito embaraçoso olhar para os filhos e descobrir que nos imitam em tudo, inclusive no que concerne aos nossos pecados. Ao descobrir isso, humilhe-se diante de Deus e faça dos pecados dos seus filhos os seus próprios. Arrependa-se e abandone os seus pecados, pois não conseguirá ajudar seus filhos a menos que mortifique os seus próprios pecados.
Quarto, ensine amorosamente e admoeste incansavelmente a seu filho. A Bíblia ensina que você deve disciplinar e instruir seu filho (Ef. 6:4). Essa instrução deve ser diária, e tanto ocasional como sistemática (Dt. 6:1-9). Lembre-se da importância do culto doméstico diário, pois ele terá um papel fundamental no ensino da Palavra de Deus para seu filho. Chame a atenção dele para que observe as Escrituras e sempre o repreenda de forma clara e serena. Trate sempre pecado como pecado e seja amoroso e paciente como a mãe do rei Lemuel (Pv. 31:1-9). Lidere seu filho e faça o que a Bíblia diz que muitos homens não fizeram — Discipline-o e deixe-o arcar com as conseqüências de seus atos errados. Não siga o exemplo de Eli, que não tinha autoridade sobre seus filhos e foi punido por Deus (1Sm. 2:29; 3:13). Ao perceber qualquer sinal de pecado e rebeldia em seu filho, você deve levá-lo a examinar o seu coração, pois é possível que não tenha nascido de novo ou esteja vivendo em frieza espiritual. A diferença entre um estado e outro, é que no caso da frieza espiritual a insensatez é passageira e momentânea, mas no caso da falta de conversão e impiedade, a insensatez é permanente e agravante.
Em suma: lembre-se que você não pode converter o coração do seu filho, mas ao ver qualquer sinal de insensatez ou ausência de marcas de conversão na vida dele ou deles, tome quatro atitudes: Ore, analise sua vida, seja um líder espiritual e reprove as atitudes erradas do seu filho.
Robério Odair Basílio de Azevedo

8 comentários:

Anônimo disse...

Pastor Robério,Tedd Tripp fala bem sobre isso no "Pastoreando o Coração da Criança". Estou gostando de ver a preocupação de vocês todos com a família. Parabéns! Valéria.

Milton Jr. disse...

Robério,
Simples, direto, com preocupação pastoral e, sobretudo, bíblico. Apreciei demais o seu post. Para aqueles que desejarem adquirir bons livros sobre o tema, além do já citado pela Valéria, temos em português:
"O caminho para o filho andar" e "O coração da ira", ambos de Lou Priolo e editados pelo Nutra. Para filhos adolescentes tem o "Idade da oportunidade" de Paul Tripp, editado pelo Batista Regular, dentre outros.

Samuel Vitalino disse...

Ray também tem um livro: Não deixe de corrigir os seus filhos.

Sem dúvidas o maior investimento que podemos fazer nessa vida é ensinar às crianças o caminho do Senhor.

Obrigado pelo post, Robério.

Alan Kleber Rocha disse...

Grande Robério,

Excelente post!

Você me fez lembrar o livro do Beeke, "Trazendo o Evangelho para os Filhos da Aliança".

Deus te abençõe irmão!

Samuel Vitalino disse...

Rapaz...

Veja que coisa boa. Quantos livros já estão sendo indicados num assunto tão relevante!

Anônimo disse...

Excelente post para uma país e uma igreja que têm sofrido tanto porque não tem dado a importância necessária à família e, especiamente, à edudação dos filhos, os quais acabam sem auxílioe consolo para continuarem em sua jovem vida cristã.

José Luiz dos Santos disse...

Graça e paz! Parabéns pelo blog, mais um canal de Deus para abençoar vidas, por isso já me tornei um seguidor e como ficarei feliz se você também seguir meu blog, aguardo por você, um forte abraço.

http://joseluizbans.blogspot.com/

Charles Oliveira disse...

Robério,

Excelente artigo. Me desafiou bastante, mesmo porque me considero pai estressado. Obrigado por essa palavra temperada com sal.

Samuel, li o Bruce Ray, gostei muito dos princípios expostos no livro, mas ele também fala que você pode usar uma raquete de ping-pong para disciplinar os filhos! Rapaz, prefiro a boa e velha varinha, que dói pra burro e não machuca. Aliás, na medida certa, levando-se em consideração o duplo uso da vara no AT: instrumento de medida e disciplina.

Abraço!