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5 de maio de 2011

A Razão da Nossa Esperança


O Cristianismo tem sido alvo de muitos ataques caracterizando tempos difíceis como raramente se viu desde os seus primórdios. No início, a igreja sofreu com as perseguições advindas do judaísmo e do Império Romano, o qual acusava os cristãos de praticarem o ateísmo (por não crerem no panteão greco-romano) e costumes estranhos como “comerem a carne de um tal Cresto” (sic), canibalismo bárbaro. Aquele tempo era difícil, pois a perseguição de ordem física, envolvendo assassinato de cristãos, nunca será algo agradável. Mas ainda assim, a igreja crescia. Aliás, quanto mais tentavam aniquilar a igreja pela violência, mais ela prevalecia.

Hoje a perseguição é diferente; é ideológica, mesmo porque a sociedade já percebeu que as idéias movem o mundo. O que é mais razoável? Sair por aí matando crentes ou espalhar boatos e discursos colocando em dúvida a veracidade de sua fé? É precisamente isso que fazem ao lançar livros de crítica ao cristianismo, como o livro “Deus: um Delírio”, de Richard Dawkins. E o que dizer das matérias antibíblicas das revistas “Galileu” ou “Super-Interessante”, que freqüentemente lançam matérias de capa questionando a historicidade dos relatos sobre Moisés, Abraão, Jesus e os apóstolos? Tudo nos leva a crer que existe uma conspiração por trás destas publicações na tentativa de tornar duvidosa a mensagem do evangelho. O problema é que uma perseguição de ordem física sempre fortalece e depura a igreja. Uma perseguição de ordem ideológica, no entanto, produz efeitos devastadores no cristianismo, por sua sutileza e capacidade de infundir a ilusão.

Fato que demonstra a dificuldade do cristianismo hodierno é a crescente secularização na igreja. A Escócia, cujo avanço do presbiterianismo no século 16 fora resposta de oração do grande reformador John Knox, que disse ao Senhor: “Dá-me a Escócia ou eu morro”, possui hoje mais de quatrocentas igrejas sem pastor. Pastores amigos meus procuraram recentemente o sepulcro do reformador escocês. Foram conduzidos ao estacionamento de um supermercado. Ao perguntarem ao vigia sobre a localização exata do sepulcro, este disse: “estamos tentando esquecer esse homem (John Knox), e vocês vêm atrás dele?”. Depois indicou o local: uma simples plaquinha no chão do estacionamento. Os crentes, por falta de seus guias, têm deixado de freqüentar a igreja. Muitos templos têm sido vendidos para estúdios de gravação, danceterias, restaurantes, etc. Uma cena triste foi testemunhada por um amigo meu naquele país. No que antes era um templo presbiteriano para mais de 1.200 pessoas, hoje funciona um balcão de informações da prefeitura de Edimburgo. No mesmo local, uma lanchonete, algumas lojas e, no subsolo, pasmem, um templo satânico. Onde antes somente a Palavra era pregada, agora até mesmo o satanismo prevalece.

Os sociólogos e estudiosos das estatísticas norte-americanas já previram o fim da PCUSA (Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos da América) em 2025 por falta de membros, devido à intensa e crescente evasão de membros. O que podemos fazer numa situação assim? Primeiro, precisamos entender que essa secularização também nos ameaça. Devemos dar testemunho mediante uma vida de obediência voltada para a glória de Deus. É necessário que cada um de nós entenda seu papel no meio de uma sociedade que carece de Deus. Devemos vindicar nossa fé, desafiar a incredulidade e persuadir os descrentes por meio da evangelização. Precisamos viver com alegria, pois temos a esperança da redenção. Nossa fé não se baseia numa ideologia destrutível. Nossa esperança não se restringe apenas a esta vida; somos de fato felizes, pois aguardamos a redenção final, a ressurreição no dia da volta de Cristo. Estamos firmados no Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Poderá ser que alguém nos pergunte um dia: “Por que você vive contente a despeito dos problemas”? É nessa hora que temos que estar prontos para expor a razão da esperança que há em nós. A razão da nossa esperança é o amor de Deus que foi demonstrado pelo fato de Cristo ter morrido por nós na cruz levando sobre si o castigo do nosso pecado. Com a sua morte na cruz, Cristo nos garante o perdão de Deus e a vitória sobre a conseqüência do pecado: a morte. Então a razão da nossa esperança é a promessa de uma herança celestial reservada para nós, a respeito da qual “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano”.

Em defesa da nossa convicção acerca da veracidade da Bíblia, basta empunharmos o escudo da fé para apagarmos os dardos inflamados do diabo. Além disso tudo, precisamos nos familiarizar ainda mais com a espada do Espírito que é a Palavra de Deus, pois ela é a verdade. Nela poderemos encontrar todos os argumentos necessários para embasamento de nossa fé. Ao mesmo tempo, poderemos oferecer auxílio aos que se encontram perdidos, sem esperança, sem alento, presos aos laços do pecado.

Enfim, que venham as perseguições, sejam físicas ou ideológicas. Firmados em Cristo, embasados na Palavra de Deus, seremos sempre vitoriosos, pois, “em todas essas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.37). Que o Senhor nos fortaleça e nos use.

Pr. Charles

10 comentários:

Samuel disse...

Charles, meu amigo,

Seu post apologético é extraordinário. Não apenas pela clareza com que você se expressa, mas também (e principalmente) pela relevância do tema.

Creio que precisamos colocar nosso povo para pensar em como responder a cada um que pedir a razão da esperança que há em nós.

Aliás, devemos mostrar mesmo aos que não pedirem, a tempo ou fora de tempo, que a pregação da Palavra do Senhor é a única solução para esse mundo em crise.

Alfredo de Souza disse...

Excelente postagem numa época onde "pregadores" disseminam teologias que relativizam a verdade da Escritura Sagrada. Parabéns Charlão!

Ana Carolina disse...

Oi Pr. Charles
Gostei muito do post também! Perseguir ideologicamente é muito mais sagaz. Isso mina as forças de dentro da própria igreja. É, definitivamente, sinais dos fins dos tempos... a apostasia é cada vez mais frequente, mesmo àqueles que acham estar no Caminho certo. Mas louvado seja Deus, porque nós temos a única verdadeira esperança, que jamais morre!
Só uma questão: antes eu achava que o versículo 1Co 2.9 (um dos citados no seu texto) falava das maravilhas que nos aguardam no porvir, mas ouvi uma pregação expositiva neste capítulo e, o pastor instruiu que ele se refere às maravilhas reveladas em Cristo Jesus, para os crentes que vêem e ouvem pela fé o que o mundo não é capaz de ver e ouvir. Tanto que o versículo seguinte diz: "Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus." Confere?
Abraços

Simone disse...

Que nós possamos passar adiante esse texto e principalmente que venhamos a viver o evangelho de Cristo Jesus genuinamente para não sermos "engolidos" pela filosofia de tudo ser relativo na vida cristã.

Heleno Filho disse...

Charlão, que triste essas notícias da Escócia... Temos que lutar pelo evangelho genuíno para que essa fase "pós-cristão" pela qual passa a Europa, não chegue aqui. Nosso trabalho é de discipulado desde agora, mas visando a geração de nossos filhos, que estarão enfrentando desafios maiores que os nossos.
Excelente post, amigão!

Charles Melo disse...

Samuel,

Obrigado! Para mim, o desafio apologético é para todo cristão!

Abraço!

Charles Melo disse...

Alfredo,

Esses pastores que não admitem a absoluta palavra de Deus, mas que dialogam o tempo todo com o espírito do tempo são uma clara demonstração do seu comentário.

Obrigado!

Charles Melo disse...

Ana Carolina,

Procede sim a exposição do texto citado. É que mesmo assim o sentido do bem futuro permanece porque o que já vemos e provamos é tira-gosto do que é eterno e porvir. É a tensão entre o já e o ainda não.

Abraço!

Charles Melo disse...

Heleno,

Parceiro e amigo fiel. Obrigado pelas palavras!

Abraço!

Ana Carolina disse...

Oi Rev. Charles

Desculpa, li o seu retorno só agora. Muito obrigada pelo esclarecimento! Ficou claro!

"Já e ainda não"...rsrs
Tivemos um curso de Escatologia em nossa igreja em que o pastor explicou e sempre adotava estes termos!

Abraços