Subscribe Twitter Twitter

3 de junho de 2011

O HOMEM CRISTÃO CONTRA O MUNDO!

O princípio de Deus concernente à liderança masculina sobre a mulher é uma das doutrinas mais incompreendidas das Escrituras Sagradas. Por causa disto, duas atitudes pecaminosas e antibíblicas são assumidas pelos homens dentro da família, Igreja e sociedade.

A primeira é a omissão total do seu papel de líder. Como é desastroso um marido omisso que não toma as rédeas de seu próprio lar, deixando de conduzir a esposa e os filhos por meio da autoridade concedida por Deus, causando insegurança e instabilidade emocional e prática nos que habitam o lar. É sofrível também contemplar uma igreja onde as mulheres são obrigadas a assumir o papel que não lhes pertence pela omissão dos homens. São os “bananas” que criam vacância no espaço do poder, obrigando ou favorecendo as mulheres a assumirem o papel exclusivamente masculino, promovendo a inversão pecaminosa daquilo que o Senhor ordenou para a economia familiar, social e eclesiástica.

A segunda é a manifestação machista que provém do chauvinismo asqueroso onde o homem se sente no direito de, não apenas se sentir melhor, mas agir como se a mulher estivesse abaixo dele. É a falsa sensação de superioridade que inexiste na estrutura divina. É o pecado do orgulho que afronta a santidade do Senhor Deus, levando-o à ira e à indignação. Neste caso encontramos a violência contra a mulher que tanto ocorre no Brasil. Homens que violentam mulheres são asquerosos e sequer devem ser vistos como pessoas, são animais que devem viver em jaulas.

Mas onde está o equilíbrio bíblico? É aqui que encontramos um terreno minado onde se deve ter o maior cuidado para não ser mal interpretado, ao mesmo tempo em que se deve andar firmemente nas Escrituras e somente nela construir o fulcro seguro para a perfeita compreensão desta realidade funcional.

Nesse contexto, gostaria de tratar esse complexo assunto em quatro reflexões sobre o que significa a autoridade masculina e, por inferência, o que significa a submissão feminina:

1. A autoridade masculina não tem o direto de suprimir as qualidades femininas:

Muitos homens pensam que liderar é o mesmo que desvalorizar. Acham que possuem o direito de impor o seu comando à mulher que, por sua vez, deve se resignar à sua condição de empregada ou objeto sem valor. Não é difícil perceber como este comportamento é pior que o adotado nas repartições de trabalho onde há o respeito e a consideração por todos e por todas.

Mesmo que muitos não aceitem, a mulher possui dons e talentos que devem ser reconhecidos e até estimulados. A capacidade dada por Deus faz com elas sejam mestras do bem1, instrutoras da verdade2, inteligentes na administração da casa3, negociadora e lucrativa4, para citar apenas algumas. O marido bíblico é aquele que reconhece e incentiva a atuação da mulher dentro da sua esfera de atuação, pois é exatamente isso que Deus faz quando coloca sobre nós os ministérios do Reino, Ele nos dá liberdade de atuação dentro da nossa esfera de atuação.

2. A autoridade masculina faz do homem um servo da mulher:

Muitos homens certamente torcerão o nariz aqui, mas é isso mesmo o que as Escrituras ensinam. Comecemos com algumas palavras do Senhor Jesus:

Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.5

Ouçamos um pouco mais do Mestre:

Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou. Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou. Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as praticardes.6

Agora vejamos o que Paulo nos ensina:

Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.7

Minha pergunta é: será que estes princípios não se aplicariam ao relacionamento entre o homem e a mulher? Bem que muitos homens de belial pensam mesmo que não, mas para desespero deles, a resposta é clara e indubitável: sim, os textos supracitados se aplicam ao relacionamento entre um homem e uma mulher!

Vejamos outra passagem importante de Paulo:

Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor. E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. E as mulheres sejam ao seu próprio marido, como ao Senhor...8

Note que Paulo menciona a submissão da mulher como conseqüência da submissão mútua no Corpo de Cristo, logo, em certa medida, as atitudes do marido para com a mulher devem ser as de um servo. O marido deve servir a mulher, e o que diferenciar disso é pecado do egoísmo e do orgulho. Por falar nisso, vejamos a terceira reflexão.

3. A autoridade masculina suprime a vontade egoísta e o orgulho do homem:

Quando Paulo menciona sobre como o homem deve liderar a mulher, ele diz:

Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito. Assim também os maridos devem amar a sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama a esposa a si mesmo se ama. Porque ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e dela cuida, como também Cristo o faz com a igreja; porque somos membros do seu corpo. Eis por que deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e se tornarão os dois uma só carne. Grande é este mistério, mas eu me refiro a Cristo e à igreja. Não obstante, vós, cada um de per si também ame a própria esposa como a si mesmo...9

Todos sabem que o segundo grande mandamento fala do amor ao próximo que deve ser igual ao amor próprio, e é exatamente este princípio que Paulo aplica aqui. O amor do marido à sua mulher deve esmagar os seus desejos particulares e egoístas e, ao mesmo tempo, preservar a esposa o máximo possível. Na prática, o marido deve cuidar do bebê por toda a madrugada para que a mãe descanse sem perturbação, deve lavar a roupa da casa quando a família não dispõe de uma máquina de lavar, deve lavar a louça quando possível, deve fazer a faxina pesada do final de semana, deve participar ativamente da criação e da disciplina dos filhos. Ou seja, o marido deve se gastar ao máximo para preservar sua mulher sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante.

Nenhum marido deve se esconder no seu trabalho fora de casa usando o cansaço como desculpa para satisfazer a preguiça e ficar como um reizinho no centro do lar enquanto sua companheira dá duro. A autoridade do homem deve fazer com que ele diga: “deixe isto por minha conta, meu amor, relaxe enquanto eu pego no pesado aqui em casa”.

O objetivo da liderança masculina é glorificar a Deus e proteger a mulher, mesmo que ele tenha que dar a vida para isso. É sempre bom lembrar que a mulher se submete ao Senhor, à Sua proteção e cuidado, e o instrumento para esta proteção e cuidado é o homem.

4. A autoridade masculina existe somente porque Deus assim determinou:

É risível saber que existem homens que acreditam piamente que Deus os colocou na liderança por seus méritos masculinos. Muitos também dizem que Deus é homem. Ora, Deus é espírito santíssimo que não se submete a nenhum gênero, quer seja masculino ou feminino. Se para comunicar os seus atributos, Ele utiliza as características masculinas, o mesmo Ele faz utilizando as características femininas ao se comparar, por exemplo, às mães que geram e amamentam. Mas nem por isso devemos afirmar o absurdo que Deus é mulher. O mesmo absurdo ocorre com aqueles que atribuem o gênero masculino à pessoa de Deus. Portanto, tal argumentação é fraca e inconsistente. O princípio bíblico da autoridade masculina na economia do lar, da Igreja e da sociedade é regido pela lei da primogenitura. O homem veio primeiro, logo ele é o líder. Também a posição de poder não faz da mulher um ser inferior de acordo com que Paulo diz:

Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo. (...) Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem. Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa do homem. (...) No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus.10

Portanto, não há mérito, mas graça pactual naquilo que o Senhor determinou para o funcionamento e a interdependência encontrados nos relacionamentos familiares, eclesiásticos e sociais. E mesmo que haja homens tolos que neguem este princípio, é bom lembrá-los de um texto iconoclástico para a época em que foi escrito, um texto de Paulo que diz:

Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.11

Quero concluir esta postagem dizendo que a posição do homem é muito, mas muito mais difícil que a da mulher. A responsabilidade é muito grande. Como é sério ter que cuidar de alguém e servi-la com todo amor e dedicação conforme a vontade do Senhor Deus. Por isso, homens crentes, lembrem-se da nossa responsabilidade, pois prestaremos contas ao eterno Juiz. Homens crentes, lembrem-se de que a mulher deve se submeter ao marido crente que a ama e que por ela se dispõe a fazer qualquer sacrifício, mesmo que isso traga um profundo gasto.

Tudo isso é difícil, porém possível!

Sola Scriptura
__________________________________________________
1. Tt 2: 3
2. Pv 31: 26
3. Tt 2: 5
4. Pv 31 1 – 20
5. Mt 20: 25 – 28
6. Jo 13: 13 – 17
7. Fp 2: 3, 4
8. Ef 5: 17 – 22
9. Ef 5: 25 – 33
10. 1 Co 11: 3, 8, 9, 11, 12
11. Gl 3: 26 – 28

14 comentários:

tarsis_classic disse...

Imensamente esclarecedor!!!
muito obrigado por ter postado essa, que diria, continuação do texto das mulheres!!
sem querer ser chato tem como corrigir o "chauvino" e o "risível", ou me perdoem por desconhecer tais palavras!!!

Samuel Vitalino disse...

Alfredo,

Ser homem segundo a Bíblia é um desafio e tanto.

Falando num bom nordestinês: é preciso ser muito macho para isso.

Excelente texto.

Ana Carolina disse...

Como Deus é perfeito e maravilhoso em Sua Palavra... em toda Sua criação!

Quem busca viver conforme essas verdades goza de verdadeira alegria, grande privilégio, já nesta vida, muito mais na do porvir!

Agora, é a vez dos homens... sem dúvida, a tarefa mais árdua ficou com vocês.

Que Deus fortaleça e capacite cada vez mais os Seus filhos para viverem da maneira que Te agrada!

Abraços

Padry disse...

Chauvinismo: o termo deriva de Nicolas Chauvin, um soldado do exército napoleônico, cuja história verdadeira misturou-se à lenda de uma forma inseparável. Chauvin, que sentou praça ainda adolescente, lutou em diversas campanhas e ficou severamente mutilado, depois de ser ferido 17 vezes em combate. Por sua bravura, o nome de Chauvin, que foi condecorado pessoalmente por Napoleão, era visto como um símbolo do soldado francês valoroso. No entanto, à medida que várias peças do teatro cômico e de vaudeville começaram a ridicularizar o personagem, apresentando-o como ingênuo e fanático, o termo foi adquirindo o valor negativo que tem hoje. Modernamente, o chauvinismo está associado ao sentimento ultranacionalista de certos grupos, que os leva a odiar as minorias e a perseguir estrangeiros. O Women`s Lib, movimento de emancipação feminina da década de 70, imortalizou sua crítica aos machistas ao denominá-los de "porcos chauvinistas".

Risível (adj.): que causa riso, ridículo, grotesco, desopilante, cômico, engraçado.

Padry disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Carlos Alexandre disse...

Amado Pastor Alfredo.
Ao Ler este texto FIDEDIGNO DAS ESCRITURAS, fiquei triste e envergonhado, sou pecador perdido, indigno, careço da graça de Cristo.
Que DEUS tenha misericórdia de minha vida.
Que o SENHOR conceda graça a todos os homens, e que Ele os ilumine com seu Santo Espírito para compreenderem sua palavra e praticá-la.
Um abraço.

Ligian disse...

Alfredo,
Eu não tinha dúvidas de que a tarefa mais difícil era dos homens!
Como me entristece ver que a verdade bíblica se perdeu pelas razões que você colocou no texto e, mais triste ainda, porque homens cristãos não têm dado o verdadeiro valor à palavra e nem a conhecem bem para que isso aconteça.
Deus tenha misericórdia de nossas igrejas e dê aos pastores e líderes a autoridade e a intrepidez para lutar por isso!
Um grande abraço!

Norma disse...

E como é maravilhoso aprender isso tudo na prática, todos os dias, em um casamento feliz sob a graça de Deus!

Muito bom texto, Alfredo! Parabéns!

Simone Quaresma disse...

É...não queria de forma alguma estar na pele de vcs, homens! Que tarefa difícil ser o cabeça da mulher e amá-la, como CRISTO faz por sua igreja!
Que delícia ser mulher! Que delícia ser cuidada, guiada, docemente dirigida e preservada! Glorifico a Deus, pois ele mesmo instituiu que assim fosse, e capacita aqueles que o temem a agirem desta forma. E aí está a "receita" de um casamento duradouro e feliz: cada um cumprindo seu papel à luz das Escrituras, e claro, sendo ajudados pela maravilhosa graça de Cristo!

Ana Carolina disse...

Neste final de semana, aprendemos com a exposição do livro de Rute, feita pelo Rev. Samuel Vitalino, como Boaz é um bom exemplo de masculinidade bíblica, demonstrando cuidado e proteção para com Rute e fidelidade a Deus. Assim, como Rute representa muito bem como uma mulher cristã deve se portar, com submissão e temor ao Senhor.

Marcos Augusto disse...

Alfredo, em que pese a relevância do artigo, gostaria de discutir apenas uma questão em relação à pessoa de Deus. Vc disse "o mesmo absurdo ocorre com aqueles que atribuem o gênero masculino à pessoa de Deus". Talvez eu não tenha entendido a sua afirmação, mas penso que embora isto não seja base para qualquer alegação de superioridade masculina, é certo dizer que Deus tem gênero, embora não tenha sexo. Embora, como vc. observou, Deus se utilize de figuras femininas para ressaltar seu cuidado para com os seus, a Escritura sempre o faz como símile. Mas Deus sempre é referido ou se refere a si mesmo como "ele", nunca como "ela" (sei que você também pensa assim, mas é preciso ficar claro). Portanto, embora não seja homem, é correto dizer que Deus, enquanto gênero, é masculino. Caso contrário, estaríamos caindo no perigo do Deus hindu, por exemplo.
Gostaria de saber o que você pensa disso.
Abração.

Alfredo de Souza disse...

Marcos, de fato minha afirmação não nega a atribuição do gênero masculino a Deus nas Escrituras. Mas isto eu considero como metáfora e não como metonímia.

Deus Pai não é homem (sei que você concorda com isso), embora o reconheçamos assim pela representação atribuída.

O gênero masculino aplicado (quer objetivamente, quer subjetivamente) serve apenas para referendar a comunicação pois, do contrário, não haveria sentido e, conseqüentemente, não haveria comunicação.

O que ressalto na postagem é a confusão entre natureza e representação. O Senhor Deus Pai é, na maioria das vezes, representado nas Escrituras como homem, logo não há aqui força para subsidiar o discurso da superioridade masculina que faz deste fenômeno da linguagem uma natureza.

Com relação à divindade hindu, a meu ver, o problema não está na questão de gênero (embora isso faça parte do pacote como um todo), o problema lá é a impessoalidade que faz da Trimúrti (Brahma, Vixnu e Shiva) uma mera força agregadora ou criativa.

Uma dúvida, se você utiliza o termo símile como analogia, então estamos de pleno acordo. Mas se para você o termo significa semelhança, então preciso ouvi-lo mais sobre o assunto.

Um grande abraço e saudades!

Ale. disse...

Parabpens pela coragem e lucidez desta postagem.
Abraços,
Ale.

Anônimo disse...

Então, por este arrazoado, uma mulher não poderia ser professora universitária, reitora de universidade, prefeita, governadora, presidente da república?

Todavia este princípio não significa que as mulheres precisam se sujeitar a todos os homens em todos os lugares.Paulo não aplica a submissão da esposa a todas as áreas da experiência humana. A instrução é específica ao contexto da vida de uma família cristã e não se aplica à política, aos negócios e nem mesmo à igreja.

cf.http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=60&materia=520

Marcel