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7 de setembro de 2010

A Cruz de Cristo


Existem alguns temas que são evitados hoje em dia. Boa parte das pessoas não gosta de falar de seus próprios erros cometidos, pecado, conseqüências dos nossos erros, muito menos da morte de Cristo na Cruz do Calvário em nosso lugar. Existe uma idéia de que você não pode falar de coisas negativas ou tristes, porque “atrai maus fluidos”, ou seja, atrai coisas ruins. Curiosamente, é comum em muitos círculos evangélicos a mensagem de auto-ajuda, ou de entretenimento, daquelas que arrancam gargalhadas da congregação, mas que não tocam na realidade de que nosso pecado ofende a santidade de Deus e isso o obriga a manifestar sua justiça. Deus é justo necessariamente.

O problema é que a manifestação da justiça de Deus implica na morte do culpado: “porque o salário do pecado é a morte...” (Rm 6.23a). Outra coisa que deve ser lembrada é que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A junção dos dois versículos nos leva naturalmente à conclusão de que todos nós somos culpados diante de Deus e merecemos a morte como salário pelo nosso pecado. Poderia, então, um ímpio, culpado por crimes e delitos os mais diversos diante de Deus ter alguma chance? Será que Deus poderia fazer vista grossa e deixá-lo entrar no seu céu? Não! A sua justiça precisa ser satisfeita. O preço deve ser pago; o pecador deve morrer, ou seja, ser banido da presença amorosa e abençoadora de Deus. Será que o ímpio poderia fazer alguma coisa para aliviar sua carga e amenizar ou eliminar sua culpa e condenação? Não! A Bíblia diz que a salvação não é pelas obras para que ninguém se glorie (Ef 2.9). Então nossa justiça própria não resolveria nosso problema diante de Deus. Isaías disse que “todas as nossas justiças são como trapo da imundícia” (Is 64.6). Mas o que poderia resolver o problema dos ímpios que estão debaixo da ira de Deus?

Somente o pagamento realizado por um mediador poderia resolver o problema do ímpio. Mas esse mediador não poderia ser uma pessoa qualquer. Não poderia ser simplesmente um ser humano perfeito, porque, nesse caso, o pagamento seria feito unicamente por uma pessoa. O pagamento teria que ser feito por alguém poderoso, de natureza infinita, a fim de que o seu resultado fosse ilimitado. Seria necessário que o pagamento fosse realizado pelo próprio Deus. Para a salvação do homem ímpio e caído em pecado, Deus então resolveu enviar seu único Filho, verdadeiro Deus, nascido de mulher, verdadeiro homem, a fim de substituir na cruz a homens ímpios merecedores do inferno. Cristo Jesus morreu por nós quando nós ainda éramos ímpios. Porque Deus justifica o ímpio. Ele derramou seu sangue, sofreu a terrível cruz, a penalidade máxima por causa dos nossos pecados, em nosso lugar, imputando a sua justiça a nós para nos apresentar diante de Deus sem mácula e sem defeito algum. Deus mesmo pagou o preço a si mesmo, tornando a sua ira em bênçãos para a nossa salvação. Cristo tornou Deus Pai propício a nós. Jesus é a propiciação. Ele nos reconciliou com Deus e nos fez beneficiários dessa reconciliação. Fomos declarados justos no tribunal de Deus uma vez por todas. Essa é a glória da igreja de Cristo: a cruz do nosso Senhor. Foi nessa cruz que nosso pecado foi pago. Foi nessa cruz que a vida eterna foi conquistada pelo Senhor a nosso favor. Por isso podemos cantar: “eu me alegro na cruz, porque nela Jesus deu a vida por mim pecador”. Todo aquele que crer será justificado diante do Senhor pela graça de Cristo, mediante a sua fé.

E quando aquele que creu chegar diante do Senhor Todo-Poderoso e justo Juiz de toda a terra revestido de grande poder e majestade em seu trono celestial? Deverá temer alguma coisa? Ainda haverá mais alguma coisa que deveria fazer em seu favor para ser recebido na glória celestial? Agora imagine nosso personagem de joelhos aguardando a palavra final. Não! Seu débito foi pago! Foi pago pelo Senhor Jesus Cristo naquela cruz. A Justiça de Deus foi completamente satisfeita. Ah! A cruz maldita agora é a sua glória! Aquilo que poderia traduzir coisas ruins e negativas, a cruz de Cristo, está no cerne do Evangelho, da boa notícia de que mediante o sofrimento de Cristo lá, seremos recebidos pelo Pai em amor e santidade na sua presença justa. Ela é a nossa glória!

Pr. Charles

4 comentários:

Alan Kleber Rocha disse...

Caro Charles,

Você tocou num ponto nevrálgico dos púlpitos brasileiros. É muito triste quando o método obscurece a mensagem em nome da auto-ajuda ou da busca pela plena satisfação dos ouvintes. Bastante diferente da mensagem pregada por Paulo aos Coríntios, quando ele não usou de linguagem rebuscada ou de palavras de sabedoria, mas pregou a Cristo, e este crucificado. Esta é a boa notícia para os pecadores!

Deus te abençõe!

Charles Melo disse...

Allan,

Parece tão óbvio, mas é justamente essa uma das coisas que faltam nos púlpitos: pregar a Cristo e este crucificado!

Abraço!

Milton Jr. disse...

Charles,
Que texto precioso. Parabéns pelo post.
grande abraço,

Milton Jr.

Samuel disse...

Preguei em I Cor. 1:17-25 e o que descobrimos com a Igreja é que mesmo uns pedindo sinais e outros sabedoria, a única coisa pregável é mesmo Cristo crucificado. Escândalo para uns e loucura para outros, mas para nós, que cremos, é o poder de Deus.

Parabéns pelo post!